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Além de aeroportuários, expansão deve gerar empregos também nas atividades complementares

A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, deixaram a discussão sobre a estrutura aeroportuária no Brasil ainda mais evidente. O tema passou a ter um novo capítulo no mês de março, quando a presidente Dilma Roussef criou a Secretária de Aviação Civil para tornar os aeroportos capazes de atender a demanda em alta.

Danilo Chamas / Fotomontagem iG sobre SXC/Flickr CC
Copa e Olimpíadas devem estimular a geração de empregos em atividades complementares
Com a nova orientação do governo, parte dos terminais aeroportuários que hoje são administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), deverão passar a ser administrados por empresas privadas. A concessão, além de ajudar na melhoria dos serviços, pode ser uma grande forma de gerar empregos, acredita Apostole Lazaro Chryssafidis, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar).

“A gestão privada irá elevar a qualidade e introduzir novos serviços aos usuários”, afirma Chryssafidis. O executivo aponta também o aumento na demanda de novos profissionais para segmentos já existentes. “Teremos novas vagas no setor de serviços, como táxis, embaladores de malas, comércio, setor de alimentação, além de aumento do número de pessoal operacional, como agentes de aeroportos, fiscais de pista, entre outros.”

As próprias empresas que já atuam no segmento demonstram grande interesse em continuar investindo no Brasil. É o caso da rede de lojas livres de impostos do Dufry Duty Free. Outra empresa que acompanha esse ritmo é a locadora de automóveis Localiza, que já investiu cerca de R$ 1,5 bilhão em lojas de aeroportos.

Lairson Lopes Sena, coordenador dos cursos de Hotelaria da Faculdade Hotec, destaca que, apesar de ainda ser muito cedo para falar da situação dos aeroportos, tudo que acontecer vai esbarrar no problema da falta de mão de obra qualificada. “O mercado está continuamente se qualificando para melhor atender aos turistas. De um modo geral, há ainda uma deficiência com referência a profissionais qualificados, e isso também acontecerá caso haja privatização”, analisa.

Alexandre Augusto Biz, mestre em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí (SC), destaca que ainda tem dúvida se os setores de aviação e turismo no País são de fato tratados como estratégicos. “Passou da hora de o Brasil investir em parcerias privadas, como acontece em outros países", analisa. "É importante que o investimento seja potencializado pela parceria com a iniciativa privada.”

Para defender o modelo, especialistas miram no exterior. Muitos países adotaram a privatização total ou parcial dos aeroportos e hoje são citados como exemplos de sucesso. O aeroporto chinês de Pequim, por exemplo, gera mais de 400 mil empregos. O de Frankfurt, na Alemanha, mais de 130 mil. Ambos contam com um grande fluxo de consumidores em seus estabelecimentos de comércio e serviços, em diversos setores.

Além dos segmentos diretamente ligados ao trânsito de passageiros e às companhias aéreas, diversos outros setores podem se beneficiar com o crescimento dos aeroportos. Entre eles estão locadoras de automóveis, lojas de free-shop, operadoras de turismo, táxis, companhias de táxi-aéreo, hotéis, restaurantes e lanchonetes, empresas de bagagens, casas de câmbio, empresas de publicidade nas áreas internas dos aeroportos (mídia indoor), serviços de acesso à internet sem fio e salões de beleza.

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