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A venda de vagas é ilícita e deve ser denunciada aos órgãos de defesa do consumidor

Você está desempregado e recebe o telefonema de uma empresa que alega possuir seu currículo, mas para encaminhá-lo à vaga é preciso pagar uma taxa. Desconfie dos grupos que fizerem uma abordagem comercial apresentando vagas, recomenda a vice-presidente de planejamento nacional da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Lizete Araújo.

Segundo ela, a cobrança por vagas de emprego é irregular. As empresas que trabalham com recolocação podem oferecer serviços de orientação de carreira, assessoria para participar de entrevistas, negociação de salários e divulgação de currículos. Nesses casos, é lícito cobrar, pois as empresas estão investindo no preparo do profissional. Não há como assegurar que ele será escolhido ao contratar esses serviços, alerta Lizete.

A presidente da ABRH de São Paulo, Elaine Saad, explica que não há problema quando as empresas oferecem serviços de divulgação de currículos e cruzamento com vagas existentes, mas garantir a colocação do candidato em alguma daquelas oportunidades é incorreto. Encontramos no mercado empresas pouco éticas, que fazem os profissionais acreditarem que estão comprando um emprego, argumenta, Uma efetivação depende apenas da empresa e do profissional. O que o terceiro pode fazer é disponibilizar o currículo.

Serviços mais comuns ¿ As empresas de outplacement, que cuidam do aconselhamento da carreira de um funcionário demitido, são um exemplo de serviço prestado na área de RH. É comum algumas companhias oferecerem o acompanhamento dessas consultorias como benefício após a demissão, explica Mariá Giuliese, diretora-executiva da Lens & Minarelli, consultoria que presta serviços somente vinculada a outras empresas e não diretamente à pessoas físicas.

Mariá também destaca a existência de companhias que cuidam do processo de admissão de profissionais. São os grupos de recrutamento e seleção, contratados pelas empresas para encontrar o profissional solicitado no mercado.

As consultorias desse tipo trabalham com headhunters, não cobram nada do candidato e sua atividade é direcionada para a recolocação em cargos mais estratégicos ou especializados. Nesses casos, qualquer tipo de cobrança comprometeria o processo de seleção, afirma Lizete.

Outra modalidade comum são as agências de emprego, mais voltadas para o preenchimento de postos de nível operacional até cargos de supervisão. Nelas, os candidatos podem inscrever seus currículos gratuitamente. São as empresas que contratam as agências para que elas selecionem profissionais de acordo com as vagas em aberto, esclarece Elaine.

Ela também conta que não há nenhum órgão que regulamente essas atividades e, portanto, o profissional que se sentir lesado deve procurar o Procon ou outro órgão de defesa do consumidor. Se a pessoa decidir contratar um serviço, é importante saber que está pagando pela orientação e não pelo emprego. É um engano achar que está comprando uma vaga, diz.

É aconselhável ainda buscar referências no mercado e verificar com atenção o contrato e os termos de uso antes de começar a pagar por qualquer auxílio na carreira, recomendam as especialistas da ABRH.

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