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De acordo com pesquisa do Dieese, maternidade é vista como obstáculo

Pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para marcar a passagem do Dia Internacional da Mulher (8 de março) mostra que a maternidade é fator determinante na carreira das profissionais do sexo feminino.

Pelo estudo, realizado na região metropolitana de São Paulo, percebe-se que a maternidade é vista, muitas vezes, como um obstáculo pelo mercado de trabalho. Ele aponta que nas famílias com filhos, a taxa de participação das cônjuges foi de 59,6%. Tal indicador não se altera substancialmente em virtude do número de filhos, correspondendo a 60,6% naquelas com um filho e a 58,9% naquelas com dois filhos ou mais. No entanto, a presença de filhos muito pequenos parece influenciar a inserção das esposas no mercado de trabalho. Entre as famílias com filho de até um ano, a taxa de participação das mulheres foi de 54,3%, contra 67,0% naquelas com filhos com mais de um até cinco anos.

Já nas famílias sem cônjuge e com filhos (chefiadas por mulheres), observa-se a maior taxa de participação dessas mulheres (64,8%), independente do número e da idade dos filhos. Tal característica expressa, principalmente, a necessidade de sustento familiar.

O consultor do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort), Carlos Alberto Pescada, acredita que a mulher vem conquistando efetivamente o mercado de trabalho, independentemente da maternidade. O preconceito ainda existe, mas muitas empresas estão procurando reter suas colaboradoras, diz. Creio que o grande desafio é reverter a situação entre as classes mais baixas e as pessoas com renda e nível de escolaridade inferiores. Nesses grupos, a maternidade exclui, agregada a diversos outros fatores, como a baixa especialização da mão-de-obra, complementa. Ele comenta ainda que, para essa parcela da população, não é raro a própria empresa não vê vantagem em empregar mães porque acreditam que a produtividade delas cai (para resolver problemas domésticos).

Apoio ¿ Visando o bem-estar e o comprometimento das funcionárias, a Interfile, empresa de terceirização de processos por meio da Tecnologia da Informação (TI), lançou um programa de auxílio às gestantes da empresa. A firma, que possui 1.400 funcionários (60% mulheres) localiza-se em Taboão da Serra (SP), região carente de mão-de-obra especializada.

O programa, que foi implementado em novembro de 2008, consiste em um acompanhamento mensal da gestação, feito pelo médico do trabalho da empresa, um nutricionista e outra médica com experiência no aspecto psicológico das pacientes. O envolvimento do gestor da área também é muito importante para dar suporte à funcionária. O objetivo é incentivar a gestante a fazer pré-natal com seu obstetra e se sentir amparada pela empresa por um acompanhamento preventivo, afirma Marcia Lourenço, diretora de RH da Interfile. Ela conta que para a empresa, os benefícios de traduzem em economia, motivação e fidelização das funcionárias.

Atualmente, 30 gestantes em diferentes fases da gravidez, são atendidas pelo programa. Elas têm, geralmente, entre 18 e 25 anos e Ensino Médio completo. Assim que a gravidez é descoberta, a futura mãe é incluída no projeto, que possui três fases: entrega de brindes, como chupetas e mamadeiras, cada vez que comparece às consultas mensais, encaminhamento ao curso para gestantes quando chega ao 7° ou 8° mês, e recebimento de enxoval durante a licença maternidade. Esses eventos e entrega de presentes em parcelas, faz com que elas tenham sempre um motivo a mais para freqüentar o programa. Realizamos um trabalho de acompanhamento e conscientização ao mesmo tempo em que conseguimos motivar as mulheres da empresa, analisa.

Temos dificuldades de recrutamento na região. Além disso, as funcionárias são competentes. Queremos então que elas se sintam amparadas durante a gestação e depois que têm filhos, diz. Estamos estudando a possibilidade de firmar convênio para creche. Na Interfile, nenhuma mãe vai parar de trabalhar porque não tem com quem deixar a criança, garante.

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