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Apesar de positiva, permanência longa fora do país pode demandar atualização e esforço de readaptação

Mais do que fluência em outra língua, morar fora do Brasil confere ao profissional uma visão cultural diferenciada e positiva para seu desenvolvimento. Por isso, na visão de Andre Munhoz, da consultoria Munhoz Fernandes, a experiência tende a ser valorizada pelas empresas.

Mas o que acontece quando esse período se estende e o profissional permanece anos fora do país? Diante da importância do networking e das mudanças mercadológicas ficar muito tempo no exterior pode dificultar uma recolocação?

De acordo com Munhoz, um dos desafios nesse cenário é a readaptação, em função das diferenças de gestão. "No Brasil há controle de horário mais rígido. Por outro lado, em alguns países a cobrança por resultados é maior", afirma.

Além disso, no Brasil a competição no mercado de trabalho é mais intensa e a demanda na entrevista acaba sendo diferenciada. "É importante que a pessoa saiba valorizar a bagagem adquirida no exterior", diz.

Andrea: companhias deveriam dar mais valor ao profissional que deixa o conforto de sua rotina
Arquivo pessoal
Andrea: companhias deveriam dar mais valor ao profissional que deixa o conforto de sua rotina
Para Andrea Janini, que retornou ao país há três meses, após quase oito anos morando no exterior, as empresas brasileiras ainda são muito tradicionais. "Ao mesmo tempo em que acham interessante a pessoa ter uma experiência internacional, isso não faz dela um profissional tão diferenciado", afirma.

Ela acredita que as maiores companhias do país ainda se limitam a buscar os jovens, graduandos ou recém-graduados, de renomadas universidades que participarão de programas de estágio ou trainee e que no futuro vão compor a diretora. "As empresas deveriam dar mais valor ao profissional que deixa o conforto de sua rotina em busca de seu próprio crescimento", diz.

O peso da indicação também é destacado por Andrea, uma vez que o profissional que fica muito tempo fora enfrenta mais dificuldade para conseguir uma colocação por meio do networking. Apesar desses obstáculos, a profissional - que já morou nos Estados Unidos, Peru, Itália, França e Suíça - acredita que o fato de falar muitos idiomas impressiona em uma seleção.

Atualização

Outro aspecto importante é a necessidade de reciclagem. Após ficar muito tempo afastado do mercado brasileiro o profissional pode ter de investir em cursos de atualização. "Depois de conseguir um emprego vou avaliar qual a especialização mais adequada para meu desenvolvimento profissional", comenta Andrea.

"É preciso avaliar com calma a necessidade de atualização. Já para os profissionais que permaneceram em outro país por apenas um ou dois anos, dificilmente isso é necessário", explica Munhoz.

É o caso do publicitário Rafael Segato. Ele morou um ano na Inglaterra, onde fez um curso de pós-graduação e trabalhou na área de marketing. "Essa experiência foi muito importante para aprimorar o idioma e conhecer métodos diferentes de trabalho, que posso aplicar no meu dia a dia. Como foi um período curto não senti necessidade de buscar uma reciclagem", conta.

Segato, que atua como analista de marketing on-line da TAM, acredita que a vivência é valorizada pelas empresas. "Entender a cultura de outros países ajuda a abrir a mente e torna o profissional mais diferenciado", afirma.

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