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Crescimento dos negócios do Brasil com empresas e instituições estrangeiras impulsiona profissão

Com o aumento do destaque do Brasil no exterior, o que inclui crescimento dos investimentos diretos no país e presença mais próxima a organismos internacionais, uma área vem ganhando espaço no mercado e promete se destacar ainda mais nos próximos anos: o direito internacional.

O segmento pode ser dividido em duas grandes áreas, segundo o presidente da Comissão Direito e Mundialização da OAB SP, Eduardo Tess Filho, direito internacional público e direito internacional privado. O primeiro está mais relacionado a questões que envolvem o governo, como tratados. Já o segundo diz respeito à gama de relações privadas e comerciais entre empresas de diversos países. "Dentro dessas áreas há diversas outras divisões, por isso, na hora de decidir, o jovem deve buscar entendê-las para escolher a que mais o atrai", afirma Tess Filho.

Especialização é muito importante para quem quer atuar em direito internacional
José Dionísio
Especialização é muito importante para quem quer atuar em direito internacional
Qualificação

De acordo com ele, profissionais de todas as áreas do direito podem se dedicar às questões internacionais, mas para isso é importante investir em especializações. "Apesar de direito internacional ter se tornado uma disciplina obrigatória, a carga horária, na maioria das vezes, é reduzida. Daí a importância da especialização", diz Maristela Basso, chefe do Departamento de Direito da USP.

Ela afirma que para atuar nesse segmento o profissional deve ampliar o leque de fontes usadas como referência, juntando às leis outras fontes como tratados e convenções. No entanto, para Maristela, o nível de dificuldade dessa área é similar às demais no ramo de direito. "A dedicação é a mesma independentemente da especialização escolhida", diz.

O conhecimento de outros idiomas, aspecto importante para o profissional do direito internacional, não deve ser impeditivo para ingressar nessa carreira, na visão de Maristela. "Mesmo que não tenha fluência em outra língua, o profissional pode se empenhar para aprender, mas não deve deisitir da área por ter dificuldades com idiomas", afirma.

Tess Filho também ressalta a questão do idioma e afirma que o inglês sem dúvida é o mais usado. "Quanto maior o conhecimento em línguas estrangeiras, melhor", diz.

A capacidade de lidar com diferenças culturais não pode ser esquecida. "Não basta ter conhecimento técnico, é preciso uma boa dose de diplomacia, pois uma negociação pode dar errado por questões culturais", comenta Tessa Filho.

Para o especialista da OAB, a tendência é de que o mercado de mundialização continue a crescer abrindo novas possibilidades. "Temos a questão da propriedade intelectual e os direitos humanos, que hoje é um tema mundial."

Diferenciais

A rotina de trabalho na área internacional tem algumas características específicas em função de o profissional se relacionar com pessoas de diversos países. "Os horários são mais esticados porque o cliente espera que você responda no mesmo dia e há muitas diferenças de fuso horário", explica Tess Filho.

Ele conta que em alguns escritórios há turnos diferenciados, com equipes chegando às 6 horas e outras saindo às 22 horas, para garantir que o cliente seja atendido o quanto antes. "O profissional também trabalha pautado nos ciclos da região. Assim, em julho a demanda é muito alta, pois em agosto é verão na Europa e o mercado desacelera."

Remuneração

O salário do profissional de direito internacional não difere do de outros advogados, na opinião de Maristela. "A remuneração é basicamente a mesma. O profissional não deve se dedicar a essa área por razões financeiras", diz.

Já Tess Filho afirma que apesar de no início da carreira a média de ganho não apresentar diferenças, com o tempo o profissional de direito internacional tende a atingir remuneração melhor. "É o tipo de atuação que exige experiência porque depende da troca constante de informações com clientes e colegas, mas após alguns anos os ganhos tendem ser superiores aos de outras áreas do direito", afirma.

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