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Não há separação pessoal x profissional na web, diz consultor

To destruído [sic], muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual, escreveu em seu miniblog o jornalista Felipe Milanez na semana passada, ao ser dispensado da revista National Geographic Brasil. Milanez, que era editor da publicação, foi mandado embora dias depois de ter falado mal da revista Veja veiculada pela mesma editora.

O caso, polêmico, ganhou repercussão principalmente porque levanta o debate sobre o limite do que é pessoal e corporativo no mundo virtual.

Justa causa - O advogado trabalhista Marcos Alencar, do Dejure Advogados, de Pernambuco, que é também autor de um blog jurídico , afirma que o jornalista errou ao publicar tais comentários, uma vez que ele era empregado e remunerado e provido pela editora.

Se o empregador age de forma temerária ao ponto de fazer o empregado sentir-se mal, cabe ao empregado, em tese (desprezando a necessidade de emprego que todos nós temos) de pedir as contas e buscar novo empregador que se adeque à conduta ética e moral que ele empregado defende, justifica.

Para o advogado, a empresa tem a sua razão em demitir o profissional, e poderia fazê-lo, inclusive, com respaldo legal. Poderia alegar quebra do respeito, da confiança e até da subordinação funcional que rege a relação de emprego e o contrato de trabalho, aplicar o art.482 da CLT e demitir por justa causa, comenta Alencar.

Desabafo - Em seu Twitter, o jornalista escreveu em reação à reportagem A farsa da nação indígena, da Veja, publicada na edição 2164: Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? [sic]... Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas [sic]

O redator-chefe da National Geographic, Matthew Shirts, declarou ao site Imprensa que fez "o que tinha que fazer exercendo a função". E confirmou que Milanez foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão.

Eu público - Marcelo Miyashita, da  Miyashita Consulting e professor de Networking, diz que nas redes sociais não há como separar o eu pessoal do eu profissional. Existe o eu público que as pessoas têm de aprender a lidar. É preciso ter cuidado com o que se escreve porque isso vai ter uma repercussão. Quanto mais seguidores a pessoa têm, mais cuidado deve ter, explica.

Miyashita cita também o caso de um diretor comercial da Locaweb que causou uma saia justa na empresa ao escrever em seu Twitter uma mensagem pouco simpática aos torcedores do São Paulo Futebol Clube, time que a empresa patrocinou por dois jogos.

Grito - Escreveu o profissional Vamos LOCAWEB!!!!!!! Chupaaaaaaa bambizada!!!!!!!! TIMÃO eoooooo!!!!!!, após a vitória por 4 a três do Corínthians sobre o São Paulo. A mensagem se espalhou rapidamente e gerou revolta nos torcedores são-paulinos.

A empresa foi obrigada a emitir um comunicado oficial se desculpando e lamentando o ocorrido. Na sequência, o executivo postou: Minhas sinceras desculpas à torcida e ao time do SPFC. No calor do clássico, o torcedor tomou conta do profissional. Não acontecerá de novo.

Para o consultor, aprender a ser personalidade pública, não importando quantos seguidores se tem, é o grande desafio da era das redes sociais.

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