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Quem não se adequar deve mostrar engajamento de outra forma, diz consultor

Empresas que têm uma cultura muito particular ou específica colocam em questão como os funcionários devem agir para se adequar aos costumes ¿ ou ainda se devem mesmo é ser autênticos e não procurar se adaptar.

O Google, por exemplo, é uma empresa que cultua a informalidade e a descontração. O Hollywood Legend Day é o dia em que todos os funcionários da empresa devem ir fantasiados de alguma celebridade do cinema. Já em algumas grandes empresas de varejo, os funcionários, em especial das áreas de vendas, são muitas vezes convocados a cantar e proclamar gritos de guerra contra a concorrência.

Há quem se sinta à vontade em entrar na brincadeira ou mergulhar nas canções, mas, por outro lado, pode haver aqueles que não se sentem confortáveis em ir trabalhar vestido de pirata ou em gritar morte à concorrência.

Sem temor - Para Marcos Bruno, diretor do Instituto Pieron, consultoria especializada em Recursos Humanos, o profissional que não quiser participar de eventos ousados como esses não tem o que temer. Para ele, esses rituais simbólicos transmitem a imagem da cultura que a organização quer cultivar.

Félix Ximenes, diretor de comunicação e assuntos públicos do Google, afirma que a cultura da empresa é muito forte e, dessa forma, buscam-se profissionais que saibam interagir globalmente. Fica difícil dizer que precisamos de pessoas com bom humor porque aqui não é um circo. Trabalha-se muito e a pessoa tem de ter googleness, ou seja, as características que nossos melhores profissionais têm, como disposição e inteligência. É um modelo mental do que a gente persegue, comenta.

Deve-se inferir que uma cultura como esta também saberia conviver muito bem com as diferenças individuais, tais como sentir-se ou não confortável com estes rituais. Assumindo-se este pressuposto, não haveria porque recear uma má interpretação da pessoa, afirma Bruno.

Ximenes diz que para ser um googler (pessoa que trabalha no Google) ou um noogler (novo na empresa) o que a pessoa não pode ser é antissocial. Não importa se ela não é expansiva, mas tem que saber se dar bem com todos.

Marcos Bruno concorda e acrescenta que, por natureza, as empresas possuem perfis diferentes e, por isso mesmo, no conjunto, complementares. Nenhuma organização seria dinâmica com perfis de pessoas muito semelhantes. Aqui também cabe o princípio da diversidade. Porém, socializar-se é fundamental, pois a própria carreira poderá se beneficiar disto, principalmente numa organização em que o networking deve ser uma competência diferenciadora.

Danos - Mas, para quem, na prática, sofre com a intolerância da empresa por não aceitar as diferenças, os danos podem ser mais sérios. Um ex-funcionário da AmBev, de Porto Alegre, comenta que seu maior problema eram as reprimendas por não cumprimento de metas de vendas. Segundo conta, era obrigado a atravessar um corredor polonês enquanto recebia vaias e insultos de colegas e chefes. Por isso, entrou com ação trabalhista contra a empresa por danos morais e ganhou.

Nesses casos, comenta Bruno, a pessoa deve considerar pelo menos duas coisas:
1) O quanto se sente peixe fora dágua na empresa, para que reavalie se deseja continuar a trabalhar naquele ambiente.
2) Como ele pode dar mostras do engajamento com a companhia por meio de outras iniciativas criativas que revelem suas habilidades e apontem o quanto ele está inserido naquela cultura.

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