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Especialistas recomendam moderação nas informações publicadas online para não "queimar o filme" do candidato

Usar as redes sociais para contratar novos talentos é uma prática cada vez mais comum entre as empresas. Além da rapidez oferecida pela internet, as redes permitem, por exemplo, procurar por perfis específicos, de acordo com os interesses que as pessoas demonstram em suas páginas.

Mas, por serem mais informais que um anúncio de vaga em um portal de empregos, as redes sociais abrem espaço para algumas armadilhas que podem prejudicar o funcionário na hora de uma seleção. A dúvida que fica é: como usar as redes sociais sem que elas lhe prejudiquem na hora de buscar uma nova colocação?

Para Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a palavra-chave é “formalidade”. “As redes sociais começaram como uma ferramenta informal para procurar candidatos, geralmente era uma pessoa que indicava um colega”, explica. “De uns tempos para cá, porém, essa pesquisa de perfis ficou mais formal.”

Na opinião do headhunter Ricardo Porto, “como as redes sociais oferecem um universo muito amplo (ele destaca o LinkedIn e o Facebook), é possível focar melhor o perfil exigido para uma determinada vaga”. “Por outro lado, a gente consegue fazer uma pré-avaliação do profissional pelas próprias redes”, ressalta. “Dá para ter uma ideia se o profissional é adequado pela rede de contatos que ele tem e pela maneira como ele expõe seu perfil e currículo na rede.”

Portanto, os especialistas recomendam que o uso das redes sociais seja feito com moderação, pois é a partir da imagem transmitida no mundo virtual que os candidatos serão julgados em uma entrevista de trabalho. “O cuidado que o profissional tem com a imagem dele é fundamental. Você não sabe onde as informações que coloca na internet vão parar um dia. Uma frase infeliz, uma foto liberal demais, tudo isso fica registrado e pode repercutir muito mal no futuro”, alerta Porto.

Perfis separados

Elaine Saad, da ABRH, uma alternativa para não ter problemas é “separar os perfis em diferentes redes sociais”. “O profissional pode, por exemplo, criar um perfil para compartilhar fotos e coisas mais pessoais e outro só com informações profissionais. É preciso entender que nem sempre aquela informação, como uma foto em uma balada, é a mais importante ou adequada para aparecer na rede”,diz. Além de fotos, a vice-presidente da ABRH recomenda que as pessoas “evitem opiniões extremas ou afiliações partidárias” e, “de maneira nenhuma, mintam sobre suas qualificações, pois os dados são sempre checados”.

Outra maneira de passar uma boa impressão é selecionar as comunidades que participa ou os contatos que são seguidos, no caso do Twitter. “Isso ajuda muito a direcionar uma busca”, diz Elaine. “Quando uma empresa procura um perfil, a participação e a forma como a pessoa usa a rede social conta muito.”

Além dessas dicas, Porto recomenda que o funcionário use as redes sociais para avisar os colegas que está procurando emprego, na medida do possível. “Ele pode avisar pelo Twitter que está procurando uma nova vaga”, diz. “Às vezes isso não é possível, porque o profissional está empregado e não pega bem dizer que está atrás de emprego. Mas ele pode aproveitar as redes para localizar pessoas em outras empresas e estabelecer um contato.”

Profissional “offline”

Tanto Ricardo Porto quanto Elaine Saad destacam para uma dificuldade ao usar as redes sociais para procurar talentos: a ausência de profissionais de nível mais alto. “O profissional mais qualificado nem sempre está na rede”, afirma Porto. Na avaliação de Elaine, essa resistência em usar um site como o LinkedIn ou o Twitter só joga contra o próprio trabalhador.

“Ainda tem muita gente que resiste e questiona se as redes são uma ferramenta importante útil para procurar emprego. Essas pessoas não têm nem o que questionar: isso está acontecendo, sim, e com frequência cada vez maior. Ficando fora da rede, o profissional pode perder uma oportunidade.”