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Carreiras como moda e pedagogia registram aumento da participação masculina

Muitas áreas, antes consideradas femininas, estão contando com a presença masculina, como estética, moda, psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem, magistério. Do outro lado, as mulheres estão se tornando cada vez mais presentes em profissões tipicamente de homens: engenharia, medicina e economia. Mas será que ainda há essa divisão?

Segundo Luiz Edmundo Rosa, diretor nacional de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), está ocorrendo uma combinação cada vez maior de ambos os sexos nas diversas profissões. “Não existe mais área feminina e masculina. As mulheres e os homens estão se misturando.”

A procura dos homens por profissões “femininas” vem aumentando gradativamente porque as novas gerações não fazem essa distinção, acredita Rosa. “Eles são mais abertos. Não tem o que é de homem e o que é de mulher.”

José Dionísio / Fotomontagem iG
Novas gerações estão acabando com as divisões de profissões por sexo
Fábio Cabrini, professor e coordenador pedagógico do Centro Educacional de Pedreira – escola de ensino médio técnico que atende apenas a crianças e adolescentes do sexo masculino –, destaca que, apesar de trabalhar em uma escola apenas para homens, está cursando pedagogia, uma profissão tida como tipicamente feminina, para exercer seu cargo de coordenador.

“As mulheres estão invadindo o mercado dos homens e vice-versa. Há uma troca de funções”, afirma. Segundo Cabrini, há uma mudança cultural por conta da globalização e da força da mulher no mercado de trabalho. Ainda assim, segundo ele, há um componente cultural a ser vencido, especialmente pelas mulheres em cargos masculinos. “Chama mais atenção uma mulher trabalhando em uma mina do que um homem como enfermeiro”, opina.

Preconceito

Toda minoria acaba chamando mais atenção. Por isso, a mudança de áreas entre os sexos pode gerar certo preconceito por parte da maioria. Luiz Edmundo Rosa, que se formou em psicologia, afirma que não sentiu nenhum estranhamento pela sua escolha. “Eram 60 pessoas na minha sala e apenas 12 eram homens. Mesmo assim, foi bem tranquilo. Tem um período de adaptação, mas normalmente é bem superado. A pessoa tem que saber lidar.”

Cabrini, formado em tecnologia de matérias e mestre em engenharia elétrica, atualmente é aluno do curso de pedagogia da UnisulVirtual. “Quase 90% da minha sala é constituída por mulheres. Senti mais dificuldade no momento de estágio, porque todas as professoras eram mulheres. Mas fui muito bem recebido e elas até me admiravam por eu ter escolhido pedagogia.”

Segundo Angela Valeria, coordenadora da EnModa – Escola de Empreendedores, na maior parte dos casos não há mais preconceito. “Houve um aumento na procura. Na moda, por exemplo, algumas marcas preferem que os modelistas, costureiros e estilistas sejam homens.”

Procura

Angela afirma que o número de homens que procuram o curso de moda vem crescendo significativamente. “Comecei a lecionar em 2001. Nessa época, as turmas não tinham nenhum homem. A partir de 2005, esse número cresceu. Hoje, 11,8% dos nossos alunos são homens.”

A presença dos homens em áreas como estética e costura também está aumentando.

“Ainda são poucos, mas antigamente isso nem existia. Há um número crescente de homens atuando como manicures”, destaca Angela.