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Quem tem alguma reserva financeira pode se permitir escolher o tipo de vida que quer para as próximas décadas e terá mais tempo para isso

Mudar de trabalho tem algum grau de risco e para minimizá-lo é essencial preparar um plano de carreira integrado aos seus valores pessoais e, especialmente, contemplando um plano financeiro.

Quem tem alguma reserva financeira pode se permitir escolher o tipo de vida que quer para as próximas décadas e terá mais tempo para isso. Mas quem não tem uma poupança não consegue reduzir os gastos mensais por alguns meses até atingir um patamar próximo do salário da carreira anterior, porque as contas irão vencer a cada mês. E acabam permanecendo insatisfeitos e infelizes em seus empregos que garantem o pagamento das contas no final do mês. Isso torna-se uma armadilha na carreira. Veja algumas dicas que podem ajudar a fazer um “pé de meia”.

Janaina Ferreira, professora do Ibmec-RJ

PERGUNTA E RESPOSTA

Não aguento mais o meu emprego, mas dependo dele para sobreviver. Existe um jeito de mudar essa situação?

Cassio Silveira, e-mail

Algumas pessoas se sentem tão saturadas no emprego ou tão desmotivadas com a carreira que pedem demissão para depois ver como irão resolver a vida, mas para mudar de emprego ou começar uma carreira diferente pode ser necessário se requalificar e só depois se reinserir no mercado, e isso pode demorar muitos meses.

Então, surge a necessidade da reserva financeira para sustentar a mudança. O mesmo vale para quem é demitido. Se o profissional não tem reservas financeiras, pode entrar em pânico ao ver as contas vencendo e, pressionado, acaba tomando decisões erradas, aceitando vagas aquém das suas competências e do salário pretendido. Já com reserva financeira o cenário muda. O profissional elimina a pressão e se dá o direito de escolher com calma onde vai trabalhar.

Mas o que fazer para poupar? Em uma sociedade que estimula o consumismo, poupar é um grande desafio e a maioria das pessoas resiste em mudar hábitos antieconômicos como, por exemplo, tomar o café da manhã na padaria ou almoçar fora. Mas a saída pode ser “apertar o cinto” por um tempo e criar uma meta para poupar 10% do salário em dez meses. Começando com 1%, e aumentando 1% a cada mês, o processo fica mais suave.

É preciso avaliar, também, se é possível gerar mais renda trabalhando algumas horas a mais, empreendendo um pequeno negócio ou fazendo uma segunda atividade, até fazer um “pé de meia”. A mesma dica vale para quem quer sair do “vermelho”. A pergunta que todos se fazem é: como curtir a vida e ainda fazer um “pezinho de meia”? É claro que é preciso incluir alguma satisfação no presente para que a pessoa se sinta estimulada a economizar para o futuro. Planejamento e disciplina são as palavras chave e, lembrando o poeta, “disciplina é liberdade”. Assim, com uma reserva financeira há maiores chances de livre movimentação na vida profissional.

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