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Há quase 50 anos trabalhando na rede de escolas de inglês, espanhol e informática, Bruno Caravati defende a confiança entre chefes e subordinados como segredo para crescer

Bruno Caravati, de 72 anos, será o sucessor direto do Mr. Fisk, fundador da maior rede independente de centros de ensino do País, que não tem herdeiros diretos. Mas o começo da carreira do executivo que hoje divide a direção das mais de 1 mil escolas em funcionamento (31 próprias e 971 franquias), foi um mero acaso. 

"Em 1966, um amigo me convidou para acompanhá-lo em um teste para ser professor do Fisk. Fiquei lá na sede, em Santa Cecília [região central de São Paulo] esperando enquanto ele fazia o teste e passou a secretária do Mr. Fisk, o sr. Lima, e me perguntou se eu também queria fazer um teste. Eu disse que sim, passei e o meu amigo, não", conta Caravati. 

Aos 23 anos, ele ainda não pensava em uma carreira a seguir, mas cogitava ser professor. "Naquela época ser professor era algo que encantava, você lidaria com pessoas, passaria conhecimento. Infelizmente, hoje há um desrespeito, uma grande desvalorização da profissão. Mas não há profissão mais gratificante, nem dentista ou médico." 

Ao ser contratado, Caravati começou a dar aulas dentro de empresas, algo que não era tão difundido. E essa foi a sua função nos primeiros quatro anos no Fisk. Depois, já em 1969, Mr. Fisk o convidou para assumir a direção da escola em Santo Amaro (zona sul de São Paulo). O passo seguinte foi sua ida para a matriz, para coordenar o departamento pedagógico da rede.

"Aí, sim eu comecei a entrar de fato na administração, tinha de orientar o pedagógico, coordenar escolas, professores, dar diretrizes dos cursos. Eu fazia tudo isso me espelhando no Mr. Fisk."

O executivo afirma que a confiança das pessoas é a base para o crescimento no trabalho. "Eu sempre fui muito observador e tive a sorte de ter um professor extraordinário ao longo da minha vida pessoal. Se Mr. Fisk não confiasse em mim, e eu não confiasse na minha equipe, nos meus colegas que passaram pela minha vida profissional ao longo do tempo, tenho certeza que não teria progredido. A confiança tem de ser mútua."



A rede Fisk já tem toda a linha de sucessão documentada, mas mesmo hoje, com 92 anos, o negócio é tratado três vezes por semana com o acompanhamento do Mr. Fisk, que vai até a sede da Fundação Fisk, na Rua Lins de Vasconcellos, na Aclimação (zona sul).  

"O Fisk diz que tenho um olho clínico para achar pessoas. Em todas as posições é preciso que haja empatia, caso contrário não haverá harmonia. Eu adorava dar aula, mas a última aula que dei foi em 1980, depois treinei inúmeros professores e assim fui construindo essa relação de confiança", explica.

Quem é Mr. Fisk?

Em 1950, Richard Fisk veio ao Brasil visitar seu irmão, que trabalhava no Consulado Americano de São Paulo. Richard gostou tanto da cidade que resolveu ficar.

Começou a lecionar inglês e em 1951, passou a ministrar aulas na extinta TV Tupi e na TV Rio. Em seguida, Richard decidiu criar seu próprio método, desenvolvendo um material didático próprio com base nas diferenças entre estruturas gramaticais das duas línguas e criou uma maneira de apresentação dessa estrutura mais ordenada do que a dos livros existentes até então. Depois, abriu sua própria escola, em 1958, localizada no bairro da Bela Vista (região central de São Paulo) e começou a dar aulas para 60 alunos.

Richard tornou-se, então, Mr. Fisk, naturalizou-se brasileiro e expandiu a pequena escola, na região central da cidade para unidades e franqueados no Brasil, em Angola, na Argentina, Bolívia, Chile, Japão e Paraguai.

A rede possui uma gráfica própria e oferece cursos de inglês, espanhol, português para brasileiros e informática. A Fisk é também detentora da marca PBF, rede de ensino de inglês e espanhol.

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