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Conheça os executivos domésticos que administram as casas de milionários

NYT

Andre­w Lowre­y, que treina funcionários para mansões
Terry Ratzlaff/The New York Times
Andre­w Lowre­y, que treina funcionários para mansões

Dylan Leonard Brown possui um diploma em psicologia e um extenso currículo que inclui três anos trabalhando como gestor imobiliário para um ex-embaixador e supervisionando uma equipe de 12 funcionários, além de três propriedades, um iate, diversos automóveis e um orçamento anual multimilionário.

Brown também organizava 100 eventos por ano, incluindo um colóquio de três dias sobre o tráfico de seres humanos e um concerto orquestral. (O embaixador era um compositor amador, então Brown contratou uma orquestra e coral, fez testes com solistas e contratou pessoas para distribuir panfletos na Parada do Orgulho Gay em Boston para despertar interesse.)

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Hoje ele trabalha para uma família na região de Denver cujo dinheiro vem da indústria de tecnologia, supervisionando suas seis propriedades e a reforma de sua residência principal – uma mansão de 3.112 metros quadrados para a qual ele também está contratando pessoal.

Brenda, de 51 anos, possui um MBA e pós-graduação em contabilidade. Ela é a gestora imobiliária de uma família de Nova York, comandando uma megapropriedade com 14 funcionários, incluindo cinco governantas, um assistente pessoal e um chef. (Ela pediu que seu sobrenome não fosse divulgado para proteger a identidade de seus empregadores.)

Na Costa Oeste, o chefe de pessoal de um jovem bilionário possui mestrado em uma universidade da Ivy League – que reúne as universidades de maior prestígio – e mais de uma década de experiência trabalhando para um bilionário da Costa Leste. (Ele pediu para não ter o nome divulgado, pelo mesmo motivo.)

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O jovem descreve seu emprego, que gera um salário de seis dígitos, como "gerir os gestores". O escopo inclui a supervisão da equipe privada no escritório da família, junto a gestores imobiliários, governantas e babás – mais de 40 no total, sendo que todos desfrutam de um generoso pacote de benefícios, incluindo um plano de aposentadoria similar ao que se encontra no mundo corporativo.

Conheça o novo trabalhador doméstico, armado com uma mala de diplomas e mentalidade empresarial, ou no mínimo uma base em psicologia organizacional, trabalho social e finanças. Seu conjunto de habilidades reflete a nova realidade do serviço privado, voltado a imitar os sistemas e estruturas do mundo corporativo.

Além disso, ele ainda pode cuidar de suas flores.

Pode chamá-la de executiva doméstica

Kimberly Sexton, de 44 anos, uma escultora conceitual, consultora de arte e gestora imobiliária com mestrado em Finanças e pós-graduação em Psicologia e Filosofia, disse que pode ser chamada de executiva doméstica. Ela também pode comprar seus imóveis e decorá-los.

"Eu ajudo as pessoas a implementar sua visão", afirmou ela.

A riqueza sempre foi um fator de isolamento, mas as enormes quantias sendo acumuladas pelos mais ricos entre os ricos, e as responsabilidades que acompanham a gestão e dispersão de todo esse dinheiro – investimentos, fundações e filantropias, propriedades e sua manutenção – exigem uma supervisão cada vez maior de pessoas com habilidades muito além do que se poderia obter em uma antiga escola de mordomos. Porém, sem excluir as habilidades mais clássicas.

(Brenda, a gestora imobiliária em Nova York, enumerou algumas das artes domésticas ainda valorizadas: gestão de pessoal, primeiros socorros, trabalho de mordomo e de babá, cuidado com artes e antiguidades, regras de etiqueta, design floral, serviço de vinhos e trabalho de chofer.)

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No ano passado, de acordo com o Relatório de Riqueza do Credit Suisse, mais de 45 mil americanos tinham um patrimônio líquido superior a US$50 milhões, frente a 38 mil no ano anterior. (Ao ultrapassar US$ 50 milhões, na linguagem prosaica do Credit Suisse, você é oficialmente um indivíduo de patrimônio líquido ultra alto.)

"Nossos clientes aplicam as práticas recomendadas de sua vida profissional na vida doméstica", declarou Peter Mahler, da Mahler Private Staffing, empresa de mais de 20 anos com filiais em quatro cidades, incluindo Nova York e Los Angeles. "Em uma família com muitas peças em movimento e um orçamento significativo, é preciso ter controles claros".

Mahler disse que seus clientes – cerca de 900 famílias, frente a 300, sete anos atrás – geralmente possuem quatro ou cinco casas, com equipes de nove a 25 funcionários. As despesas com pessoal podem atingir US$ 2 milhões por ano, e as despesas operacionais para várias residências podem ultrapassar US$5 milhões.

Gestores imobiliários e chefes de pessoal estão no topo da pirâmide doméstica. Por definição, explicou Matthew Haack, que em 2007 fundou a Domestic Estate Management Association, ou DEMA, um gestor imobiliário é aquele que supervisiona uma propriedade de mais de 929 metros quadrados ou cuida de diversas propriedades – podendo incluir iates e jatinhos.

"O trabalho exige uma pessoa meticulosa e particularmente voltada a detalhes", afirmou Haack. "Vemos todo tipo de formação nessa indústria, de ex-militares a profissionais de escritório. O nível está cada vez mais alto. O principal é a mudança na tecnologia. Houve uma enorme mudança na composição dessas propriedades nos últimos 20 anos, o que gradualmente alterou o conjunto de habilidades para um gestor imobiliário".

Salários podem atingir seis dígitos

A DEMA, que possui 2.000 membros, realizou sua primeira conferência há um ano, uma rara oportunidade de grupo em uma indústria envolta em segredo. Os membros compartilharam histórias de terror e fontes: como encontrar a melhor equipe de segurança em Mallorca, por exemplo, ou a melhor agência de pessoal para babás que eram professoras.

Os salários para esses cargos domésticos de alto nível podem atingir seis dígitos para o chefe de pessoal. E os salários de governantas hoje chegam a US$ 90 mil, segundo Andrew Lowrey, ex-mordomo britânico e gestor imobiliário cuja agência privada de pessoal, sediada em Baltimore, se chama Precise Home Management. Um gestor imobiliário pode começar com US$150 mil e subir até US$ 250 mil, dependendo do número de funcionários na equipe e das propriedades administradas. Os benefícios são generoso e vêm com o que Brenda, a gestora de Nova York, descreveu como "pagamento por privação".

"Não é incomum uma família pagar bônus por feriados a seus funcionários, junto a 20 % de bônus por desempenho aos assalariados, no final de cada ano", afirmou ela. "Isso ajuda a compensar pelos dias de 12 a 14 horas de trabalho, ou por precisar trabalhar no fim de semana porque as crianças querem uma festa na piscina, ou por ter de passear com o cachorro em uma temperatura abaixo de zero porque o patrão detesta passar frio, ou procurar pilhas às onze da noite porque o controle remoto da TV de um dos quartos não está funcionando".

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