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De modelo a piloto, profissionais ganham a vida rodando o mundo. Veja a lista das carreiras para quem gosta de viajar

Você é daqueles que reserva boa parte do seu salário para viajar e quando volta das férias já tem o próximo destino decidido? Agora imagine se você não precisasse esperar por um tempo livre para conhecer o mundo e ainda fosse pago para isso. Pois foi esse o motivo que fez com que Michelli Provensi, de 29 anos, se dedicasse à carreira de modelo.

Michelli Provensi, de 29 anos, já conheceu 37 países desde que iniciou a carreira de modelo aos 16
Felipe Gachido
Michelli Provensi, de 29 anos, já conheceu 37 países desde que iniciou a carreira de modelo aos 16

Nascida em Maravilha, Santa Catarina, Michelli foi descoberta aos 16 anos. Um ano depois, já fazia sua primeira viagem internacional, para o Japão. Apesar da grande diferença de cultura e de língua, a modelo conta que não sentiu medo. “Pior é chegar em São Paulo, na rodoviária do Tietê”, compara ela, que desde então já conheceu 37 países. “Só quis ser modelo por conta das viagens. Eu não queria ser famosa. Agregar valores de outras culturas foi bom para minha formação”, diz Michelli.

No entanto, nem só de glamour vivem as modelos. Muito pelo contrário, pois além de ser uma carreira em que poucas conseguem se destacar, pela forte concorrência e instabilidade de um mercado que preza pela novidade, a rotina também é difícil.

Longas horas de trabalho por dia e um cachê inicial baixo – algumas chegam a ganhar apenas peças de roupas por um dia de trabalho – são algumas das dificuldades encontradas por elas. Além disso, as modelos chegam a passar meses fora do País, o que pode não ser tão agradável quando se tem família no Brasil. “Você acaba ficando muito tempo sozinha. [A maior desvantagem] é ter que lidar muito cedo com a saudade”, conta ela.

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Para ajudar quem está pensando em ingressar nesta carreira, Michelli escreveu o livro “Preciso Rodar o Mundo”, da editora Da Boa Prosa, mas ela adianta, nem todo mundo pode ser modelo. “Primeiro que tem ganhar na loteria genética, tem que nascer para isso. Depois tem de querer muito e ter força de vontade, mas gostar de viajar ajuda, pois o que mais vai ter é isso”, aconselha.

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Porém, se desfilar pelas passarelas não é o seu ponto forte, talvez trabalhar pelos ares possa lhe interessar. A demanda por profissionais da aviação civil vem aumentando nos últimos anos, em especial pelo aumento no fluxo de pessoas nos aeroportos brasileiros.

Rodrigo Spader, piloto de avião pela companhia aérea Gol e diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, conta que a aviação sempre foi sua paixão. “O que eu gosto mesmo é de pilotar, mas conhecer outros lugares sempre me atraiu. Viajar é muito bom, então foi possível unir o útil ao agradável”, comenta ele, que já conheceu em torno de 14 países por conta da profissão.

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Apesar disso, a rotina dos aeronautas também não das mais fáceis. O piloto e o restante da tripulação, como os comissários e comandantes, podem ficar longos períodos trabalhando. Por lei, entre um voo e outro, eles têm um intervalo de 12 horas de descanso, chegando a ficar em terra 48 horas quando o voo é internacional e de longa extensão. No entanto, o próximo não necessariamente tem como destino a cidade onde eles estão baseados.

Rodrigo Spader, piloto da companhia aérea Gol e diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas
Divulgação
Rodrigo Spader, piloto da companhia aérea Gol e diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas

“A maior desvantagem é que a nossa regulamentação permite que a gente fique muito tempo fora de casa. Às vezes, você vai voar e fica seis dias longe. Então volta, fica um dia dentro de casa e depois voa por mais seis. Em um período de treze dias, teve apenas uma folga. Você não consegue ter uma qualidade de vida razoável, fica longe da família, dos amigos e não consegue fazer atividades corriqueiras, como ir ao banco ou supermercado”, relata Spader.

Para o piloto, quem ingressa na profissão precisa gostar de aviação mais do que de viajar. “Nós, pilotos e comissários, nos sujeitamos a ficar longe pelo fato de gostarmos de voar. Quem escolher essa profissão simplesmente para conhecer lugares diferentes pode até ser válido por um tempo, mas não como uma carreira que você vai levar para o resto da vida”, aconselha ele.

E se ainda assim você estiver interessado em ingressar nessa área, saiba que o investimento inicial é alto. Para ser habilitado a pilotar um avião sendo remunerado, é necessário cursar uma graduação em Aviação Civil ou fazer cursos em aeroclubes, com o custo médio de R$ 100 mil a R$ 150 mil e duração de cerca de um ano e meio a três anos, no caso dos cursos em aeroclubes, e de quatro anos para a graduação. O salário inicial da categoria gira em torno de R$ 6 mil.

Uma alternativa rápida, mas não mais fácil, para quem quer trabalhar viajando são os navios cruzeiros. As exigências para se tornar um tripulante não são muitas, além de inglês nível intermediário e o curso básico de segurança marítima, que custa cerca de R$ 800. É desejável que o candidato tenha conhecimento em alguma área de atuação do navio, como gastronomia para trabalhar na cozinha ou experiência como vendedor para atuar nas lojas.

O ator Diego Bargas passou 7 meses em alto mar e conheceu 8 países
Arquivo pessoal
O ator Diego Bargas passou 7 meses em alto mar e conheceu 8 países

Para o ator Diego Bargas, de 26 anos, a experiência de passar sete meses em alto mar foi inesquecível. Trabalhando como recreador em um cruzeiro que fazia o percurso da costa da Europa, ele conheceu oito países, como Grécia e Turquia, e diversas cidades. “Essa foi a maior vantagem. Na minha realidade financeira eu nunca teria condições de ter conhecido esses países. Eu nem poderia pensar nisso”, comenta o ator.

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Apesar de o salário parecer atrativo – em média US$ 1 mil mensais (R$ 2,35 mil) mais gorjetas –, a rotina de trabalho da tripulação é bastante pesada. "Em sete meses eu trabalhei todos os dias, não tive nenhuma folga. Mesmo doente, naqueles dias em que você precisa deitar, eu trabalhei", conta Bargas. Além disso, são várias as denúncias de que a tripulação dos cruzeiros trabalham mais horas por dia do que o prometido durante a seleção.

"A experiência de vida eu recomendo, [mas] profissionalmente não acrescenta em nada. (...) É uma rotina pesada e você dorme em um quartinho que divide com outras pessoas. É um BBB no meio do oceano. Tem que tomar cuidado, pois mexe com o psicológico", aconselha o ator, que não pensa em embarcar novamente.

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