Tamanho do texto

Diálogos do filósofo grego e até método científico de físico que se tornou administrador de empresa têm como objetivo resolver conflitos no ambiente corporativo

Não é incomum encontrar funcionários que reclamam que não são ouvidos pela empresa, ou que não são tratados com justiça no ambiente de trabalho.

O filósofo grego Platão preferia o conhecimento aprofundado à simples análise fria de números
Reprodução
O filósofo grego Platão preferia o conhecimento aprofundado à simples análise fria de números

Para o professor Rogério Calia, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP-Ribeirão Preto, no interior paulista), a reflexão sistemática, ajudada pelo ensinamento de filósofos como Platão e até um físico que se tornou administrador de empresas, pode servir de apoio para a solução destas questões.

Leia também: "Salário emocional" no trabalho é mais importante que recompensa financeira

O exemplo é importante porque neste ambiente, na visão de Calia, há um grande desperdício na empresa. "Os colaboradores acabam 'segurando o leite', ou seja, têm ideias de como resolver problemas e melhorar resultados, mas preferem calar e não anunciar estas ideias".

A situação é um forte indício de que os conflitos diários não estão sendo resolvidos de modo racional e que, caso não sejam solucionados, tendem a gerar um ambiente de raiva e até ódio. "O conflito que era de opiniões, se torna emocional", aponta.

A reflexão aparece como meio poderoso para descobrir formas criativas para solucioná-los, e a filosofia pode ajudar a desenvolvê-la e transformar conflitos em acordos, discórdia em colaboração para todos os tipos de gestores e empresas, bastando ajustar a linguagem para cada público. Cabe às empresas capacitar líderes para utilizarem estas abordagens. 

Origem

O filósofo grego Sócrates propôs a reflexão sistemática para solucionar problemas com conceitos mais representativos da realidade, e alguns dos diálogos escritos por Sócrates retratam bem a abordagem.

O mergulho nestes diálogos ajuda a utilizar ferramentas de gestão para a resolução de conflitos de modo mais eficaz. "As ferramentas não são de Sócrates, nem de Platão mas são de líderes contemporâneos. Mas o 'turbo' intelectual que fortalece nossa reflexão é proposto por Sócrates", conta Calia. "A filosofia pode turbinar o uso destas ferramentas de modo mais criativo e competente".

Os ensinamentos podem passar também pela análise lógica para a resolução de conflitos de Eliyahu Goldratt, físico israelense que se tornou consultor de administração e proponente da Teoria das Restrições (a qual afirma ser possível utilizar o método científico para resolver os problemas das organizações).

Sua análise consiste em identificar as exigências excludentes, analisar o objetivo comum e expressar as condições necessárias (ou nessidades legítimas) na lógica de cada um dos oponentes. "Em seguida, é realizada uma análise em 'zoom' com muito esforço de reflexão para identificar o pressuposto restritivo, que é o principal "furo lógico" que força a geração de conflitos com frequência desnecessário", diz Calia.

Por fim, é realizado um exercício criativo para invalidar o pressuposto restritivo e propor uma solução prática ao conflito.

O professor mostra exemplos práticos de resolução de conflitos em projeto de desenvolvimento de um novo produto, de análise de viabilidade para a inserção no mercado de créditos de carbono, ou a estruturação de um serviço financeiro de crédito estudantil em um curso sobre o tema, nomeado Filosofia e Métodos de Gestão e ministrado pela Casa do Saber a partir desta sexta-feira (17), às 20h. Serão quatro encontros. Os próximo ocorrem nos dias 20, 22 e 24 de janeiro.