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Com preços que podem chegar a até US$ 75 mil, cada vez mais profissionais buscam MBAs com módulos no exterior

Fazer um MBA (Mestrado em Administração de Empresas, na sigla em inglês) já é garantia de aumento salarial. Segundo pesquisa do jornal inglês "Financial Times", realizada com profissionais que conseguiram a certificação entre os anos de 2006 e 2011, a remuneração pós-MBA é 43% maior.

No entanto, com o mercado cada vez mais competitivo e com a procura por esses cursos aumentando, os profissionais têm buscado uma nova diferenciação, o MBA em parceria com instituições estrangeiras, que oferecem também a certificação internacional.

Álvaro Cyrino, vice-diretor da Ebapa/FGV: “O grande valor [dos MBAs com módulo no exterior] é de dar ao profissional essa competência de conviver em contextos diferentes
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Álvaro Cyrino, vice-diretor da Ebapa/FGV: “O grande valor [dos MBAs com módulo no exterior] é de dar ao profissional essa competência de conviver em contextos diferentes"

“Não me ajudou apenas na questão da remuneração, mas até a pleitear novos cargos. Você amadurece e volta com uma bagagem maior não só de conhecimento, mas de profissionalismo“, conta Marcelo Trevisan, que cursou o MBA em Gestão de Marcas pela Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, com módulo de seis meses na Universidade Andrés Bello, no Chile, em 2008.

Hoje especialista em Social Media da construtora Tecnisa, Marcelo afirma que o curso no exterior o ajudou a ser mais flexível nas situações de trabalho.

A capacidade de o profissional atuar em diferentes ambientes é apontada como essencial também pelo professor Álvaro Cyrino, vice-diretor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV), que conta hoje com 50 parcerias.

“Há 20 anos o cara pensava em começar e terminar uma carreira no Brasil. Hoje em dia ninguém mais pensa desse jeito – você sabe que vai começar no Brasil e vai, eventualmente, terminar ou passar por muitos outros lugares”, diz o professor. “O grande valor agregado que se tem nesses programas é de dar a ele [o profissional] essa competência de conviver e operar em contextos diferentes, e estabelecer uma rede [de contatos]”, conclui.

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Outro fator que faz do MBA com módulos no exterior um bom negócio é a expansão do networking, a rede de relacionamentos profissionais. Durante as aulas nas faculdades estrangeiras o aluno tem a oportunidade de trocar experiências com profissionais de outros países, que conhecem mercados diferentes e técnicas de gestão diferentes das comumente utilizadas no seu país de origem.

Thiago Silva embarca no próximo mês de agosto para a Flórida, nos Estados Unidos, para passar doze dias estudando na Universidade de Tampa
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Thiago Silva embarca no próximo mês de agosto para a Flórida, nos Estados Unidos, para passar doze dias estudando na Universidade de Tampa

É essa troca de conhecimento que busca Thiago Correia da Silva, sócio diretor do Grupo Prime Filter, distribuidor da marca Europa Purificadores.

Atualmente no MBA de Gestão Empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São José dos Campos (SP), Thiago embarca no mês que vem para a Flórida, nos Estados Unidos, para passar 12 dias estudando na Universidade de Tampa.

“Hoje, eu tenho a possibilidade de exportar o meu produto, mas eu ainda não tenho todo o conhecimento para fazer isso. Lá eu vou ver as técnicas que eles usam, vou visitar empresas de logística”, diz o empresário, que está fazendo um curso de inglês para conseguir acompanhar sem dificuldades as aulas no exterior.

Preparação do aluno

Os requisitos para alguém cursar um Mestrado em Administração de Empresas variam de acordo com os critérios da instituição de ensino e o tipo de programa.

Para os cursos com módulos no exterior, é necessário que o candidato tenha, em média, três anos de experiência profissional em gestão empresarial e domínio do idioma falado na instituição estrangeira - nem sempre as aulas são ministradas na língua materna do país para o qual o aluno vai.

No entanto, a preparação do profissional vai além de apenas preencher os requisitos para um MBA. “Primeiro ele precisa entender o que busca como desenvolvimento pessoal e profissional, no curto, médio e longo prazo”, conta Patrícia Volpi, líder do departamento de MBA da GNext, empresa recrutadora de executivos de alto escalão.

Para Patrícia, é importante que o profissional saiba quais são as habilidades e competências que ele não possui e que um MBA com módulo internacional pode adicionar à sua formação, para ele se diferenciar no mercado e atingir seus objetivos.

Outro ponto lembrado por Patrícia é a pesquisa que o aluno deve fazer antes de decidir qual MBA cursar.

“[É preciso] analisar as opções, o currículo, o corpo docente, fazer uma lista com os pontos fortes e fracos daquele curso, para ele saber qual é o melhor”, explica ela.

Ela chama atenção também para a necessidade de disponibilidade financeira do aluno, já que os preços dos cursos podem variar de US$ 3.100, contando apenas a extensão internacional e sem os custos da viagem, até US$ 75 mil, com todos os módulos e viagens inclusas.

Segundo Maurício Queiroz, diretor geral da Fundação Instituto de Administração (FIA), que oferece nove programas de MBA com módulos no exterior, outra maneira de avaliar a qualidade de ensino da instituição que oferece o MBA – e também da parceira estrangeira – é a observação da posição delas nos rankings internacionais.

O aluno pode verificar também se elas possuem credenciamentos e selos certificadores de qualidade, concedidos pela Fundação Europeia para o Desenvolvimento da Gestão (EFMD, na sigla em inglês), pela Associação Internacional de MBAs (AMBA) e pela Associação de Escolas Avançadas de Negócios (AACSB, na sigla em inglês).

“O selo é uma garantia de que aquelas escolas atendem ao padrão internacional”, diz o diretor.

Vantagens para as instituições brasileiras

Além de formarem profissionais mais capacitados, as escolas brasileiras obtêm outras vantagens ao oferecerem MBAs em parceria com instituições estrangeiras.

“[As parcerias] funcionam no sentido de troca de créditos. Ou seja, o nosso corpo docente com uma oferta em outro país, desenvolvendo as competências internacionais e realizando pesquisas com o corpo docente de fora. Participar dessa rede internacional enriquece a nossa diversidade”, conta Álvaro Cyrino, vice-diretor da Ebape/FGV.

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O interesse crescente na economia brasileira verificada nos últimos anos aumentou as ofertas de parcerias feitas pelas escolas estrangeiras.

No entanto, Maurício Queiroz, da FIA, lembra que nem todas as ofertas são um bom negócio e que, inclusive, já recusou algumas.

“Estamos fazendo isso agora [recusando uma parceria]. É uma escola inglesa. Eles nos procuraram e fizeram uma oferta, a gente foi olhar e não tinham credenciamento e um dos nossos professores já tinha chamado a atenção [sobre a qualidade da escola]. A gente procurou na internet e viu que essa escola já estava com alguns problemas. [Na última semana], um avaliador inglês [de uma credenciadora] chamou nossa atenção e nós não vamos mais firmar essa parceria”, revela Maurício.

Marcelo Trevisani, especialista de Social Media da construtora Tecnisa, não se arrepende de ter escolhido o Chile como destino do seu MBA em parceria no exterior
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Marcelo Trevisani, especialista de Social Media da construtora Tecnisa, não se arrepende de ter escolhido o Chile como destino do seu MBA em parceria no exterior

Países vizinhos são o novo foco das instituições brasileira

Apesar de os destinos mais comuns dos profissionais que cursam MBAs internacionais ainda serem a América do Norte e a Europa, Maurício Queiroz, diretor geral da FIA, diz que a meta da sua escola agora é firmar parcerias com instituições nos países vizinhos do Brasil.

“Há boas universidades no Chile, Argentina, Peru e Colômbia. É interesse nosso que os alunos conheçam também o mercado latino”, conta Maurício.

“Esses módulos seriam mais adequados para [profissionais de] empresas de médio porte, [já que] a maior parte delas busca internacionalização por proximidade cultural e geográfica. É o caminho mais natural” declara o diretor.

Marcelo Trevisan, que fez um módulo de seu MBA no Chile, confessa que teve receio de investir em um curso sem muita tradição em comparação com a Europa e os EUA, mas não tinha condições financeiras de fazer a extensão nestes destinos.

“As faculdades [nesses lugares] têm um peso maior [em comparação com uma faculdade no Chile], mas eu tive bons professores e o que eu aprenderia nos EUA ou na Europa eu aprendi também no Chile”, diz ele.

Marcelo conta que, ao voltar para o Brasil, os recrutadores das empresas nas quais pleiteou cargos o questionaram sobre o motivo de ter escolhido um país latino e não um mais tradicional. Porém, lembra que quem faz a diferença é o aluno e não se arrepende do destino que escolheu.

O especialista em Social Media gostou tanto da experiência e do retorno pessoal e profissional que agora tem intenção de cursar um novo MBA, desta vez na Universidade de Brunel, em Londres, Reino Unido.