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Antes restritos ao universo acadêmico, esses profissionais passam a ser disputados pelos centros de pesquisa e desenvolvimento que as multinacionais estão abrindo por aqui

Brasil Econômico

Um número cada vez maior de centros de pesquisa e desenvolvimento de multinacionais no país aquece o mercado de trabalho para profissionais que antes tinham como única opção a vida acadêmica. “É uma opção a mais para o planejamento de carreira. Hoje o pesquisador tem cada vez mais alternativas fora da universidade”, afirma Carlos Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

Laboratório da Butamax em Paulínia
Dilvulgação, DuPont
Laboratório da Butamax em Paulínia

“Temos bons pesquisadores. Nossas universidades formam profissionais em nível bastante adequado. Falta uma dimensão mais empreendedora, com perspectiva de mercado, e esses centros multinacionais trazem essa dinâmica, de profissionais formados com esse viés”, argumenta. “Além disso, a presença desses centros de desenvolvimento promove desdobramentos no ambiente econômico do país, trazendo uma dinâmica muito positiva para a economia de modo geral”, afirma, acrescentando que as multinacionais também se beneficiam. “Quando mais próxima a área de pesquisa e desenvolvimento de uma multinacional estiver do mercado onde ela atua, maiores são suas chances de sucesso naquela região”.

Nos últimos anos, o Brasil se tornou um pólo de atração de P&D. Um dos mais recentes é o da suíça Clariant que inaugurou na semana passada, em Suzano (SP), um laboratório de pesquisas e desenvolvimento de catalisadores para as indústrias química e de petróleo e gás. No ano passado, no Rio de Janeiro, a multinacional já tinha dado início às atividades de um centro tecnológico de desenvolvimento de produtos químicos para a indústria do petróleo, principalmente para o segmento de águas profundas e pré-sal. A unidade carioca, primeira deste porte na América Latina, atua em sintonia com os outros centros de excelência nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha, e com o laboratório de testes ambientais na Noruega.

“Atuamos no Brasil há muitos anos. Temos uma presença forte em vários segmentos nas indústrias química e, principalmente, em toda a cadeia produtiva de Óleo & Gás do Brasil, desde a exploração e produção ao refino. A nossa perspectiva de crescimento no país está relacionada com a projeção de incremento do mercado de petróleo e gás natural, que vai mais do que dobrar o volume da produção e da demanda destes insumos no país até o final desta década”, diz Carlos Tooge, vice-presidente da unidade de negócios Oil & Mining Services Vice President — Latin America para a América Latina da Clariant.

Já a alemã SAP possui dois centros de inovação do Brasil. O Co-Innovation Lab (Coil), em São Paulo, e o SAP Labs, em São Leopoldo, na Grande Porto Alegre (RS). O laboratório no Brasil, que está sendo sendo duplicado com investimentos de R$ 50 milhões, é um dos 15 mantidos pela companhia em todo o mundo.

O centro de pesquisa da francesa L'Oréal no Brasil segue a todo vapor e deve ser inaugurado em 2015, no Rio de Janeiro. Com investimentos de R$ 70 milhões, este será o sexto laboratório do grupo no mundo. O novo centro de Pesquisa & Inovação permitirá intensificar o desenvolvimento de produtos inovadores adaptados ao mercado brasileiro e latino americano, mas também com potencial de comercialização em outros países do mundo.

Outra multinacional que está abrindo uma unidade de pesquisa e desenvolvimento no Brasil é a americana Boeing. Instalado no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), o Centro de Pesquisa e Tecnologia da empresa no Brasil é o sexto centro de pesquisa avançada da companhia fora dos Estados Unidos. “Esperamos inaugurar a nova unidade em novembro”, conta Al Bryant, vice-presidente de Pesquisa e Tecnologia da Boeing - Brasil.

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