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Especialistas listam 10 questões que devem ser consideradas por quem tem dúvidas sobre sair ou ficar

Quando a insatisfação com o trabalho bater a sua porta, a primeira atitude não deve ser assinar a carta de demissão ou correr para a primeira vaga que aparecer. A palavra de ordem é planejar. Segundo especialistas, este planejamento deve seguir um roteiro que abrange desde a satisfação pessoal, salário até sintonia com o novo chefe.

Segundo Clovis de Col Gomes, consultor da Resulth Consultoria e Coaching, os profissionais deveriam levar em consideração uma série de fatores antes de pedir para sair. Para ele, os questionamentos devem ser norteados em primeira estância por necessidades básicas como as fisiológicas (comida, sono), de segurança (dinheiro), de relacionamento, de autoestima (satisfação de estar fazendo alguma coisa que gosta) e realização profissional. “Fazer de bate-pronto pode dar certo, mas quando se planeja os riscos são menores”, lembra.

Para Mayra Fragiacomo, Consultora de Carreira da Thomas Case & Associados, a primeira questão a ser respondida pelos profissionais é a motivação que o está levando a querer trocar de emprego. “As vezes o profissional até gosta da empresa, mas está insatisfeito com a atividade desenvolvida ou com o chefe. É preciso entender o que é antes da troca”.

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, salário é uma questão importante, mas totalmente negociável. “Pode-se tentar negociar uma bonificação, um aumento. Se nada der certo, você terá m bom motivo para sair”, diz Mayra.

Ricardo Barcelos, gerente geral da Havik, acredita que nos níveis mais altos da hierarquia corporativa quando um executivo conclui um projeto que gerou frutos para a empresa ou sua participação foi decisiva em um trabalho, o reconhecimento financeiro é o que conta. “Quando a evolução financeira não vem acaba gerando uma frustração e é nessa hora que os executivos se abrem para o mercado”, garante o especialista.

Ricardo Marcelo Basso, 41 anos, especialista em colocação e que trocou há seis meses a Aon Corretora de Seguros (onde atuou por dois anos) pela Willis Brasil, segurança e oportunidade de crescimento no médio e longo prazos foram levados em consideração. Mas a questão financeira pesou. “Salário maior sempre conta. Mas o reconhecimento é um dos fatores que me fez buscar uma nova colocação”, afirma Basso.

Ainda no quesito salário, Mayra garante que é preciso levar em consideração o pacote de benefícios, o que os profissionais de recursos humanos chamam de “total cash”, que inclui benefícios, bonificação e participação nos lucros. “Já vi executivo topar ganhar menos mas com a bonificação o montante final ficava maior”.

Na avaliação de Ricardo Basaglia, diretor da Michael Page, empresa de recrutamento de pessoal que atende a cerca de 100 mil entrevistas por ano, quando alguém pensa em mudar de emprego normalmente deixa o gestor e não a empresa. “Na maioria das vezes quando se toma decisão é porque a relação com o gestor se desgastou e não está vendo mais possibilidade de crescimento na empresa”, diz o especialista.

Outro item muito avaliado hoje em dia é o alinhamento dos valores da empresa com os do profissional. “Já fiz trabalhos com profissionais que se recusaram a trabalhar em determinados segmentos como armas, cigarros e bebidas. Por isso, antes de pleitear o cargo é preciso analisar se a empresa condiz com seus valores”.

Qualidade de vida também entra na escolha para muitos profissionais, que são cada vez mais cobrados pelas companhias.“Fui em busca de melhor qualidade de vida, mas hoje trabalho mais horas do que na empresa antiga”, reconhece Basso.

Todos os especialistas ouvidos dizem que um fator que deve ser reconhecido pelos profissionais é o quanto a nova empresa vai agregar ao currículo. “Se perguntar sou empregável ? Isso tem peso grande na decisão e vai fazer diferença no futuro”, afirma Mayra.

Dicas

Brasaglia, da Michael Page, dá algumas dicas para quem quer procurar emprego sem susto: Faça uma lista das empesas que gostaria e das que não gostaria de trabalhar e porque; Enumere o que gosta no atual emprego e o que não gosta. “Num processo seletivo entreviste a empresa e o gestor para quais pretende trabalhar” , afirma. Col Gomes completa indicando um verdadeiro trabalho de investigação. “Fale com pessoas, use a internet. Informe-se.”

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