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Pesquisa da Hay Group mostra que 44% dos colaboradores no mundo pretendem deixar seus empregos

Ficar horas depois do expediente para terminar um projeto é uma situação cada vez mais corriqueira nas empresas brasileiras. O problema é quando o empenho do profissional não é reconhecido pelos gestores, o que pode se transformar em um gatilho para a frustração no ambiente de trabalho. Não é à toa que mais de 44% dos colaboradores no mundo pretendem deixar seus empregos nos próximos cinco anos, enquanto 21% gostariam de sair em menos de dois anos, de acordo com estudo feito pela consultoria Hay Group com 5 milhões pessoas em 46 países.

Segundo a pesquisa que foi compilada no livro “O inimigo do engajamento profissional”, mais de um terço dos colaboradores em todo mundo não estão engajados. Esse cenário é crítico quando se leva em consideração o contexto de crise econômica — momento em que as organizações precisam aumentar o desempenho para tentar sobreviver. Quando comparado com profissionais dos quatro cantos do mundo, os brasileiros aparecem como os mais engajados e com maior intenção de permanecer no emprego. “No Brasil, o emprego está em pleno vapor e as pessoas percebem que podem crescer na carreira. Além disso, existe uma questão cultural de pertencer a uma empresa de renome, independentemente do cargo. Aqui, ainda se veste a camisa”, afirma Elton Moraes, consultor do Hay Group e co-autor do livro. “O problema é que daqui a um tempo os brasileiros podem começar a se sentir frustrados por não terem autonomia ou por ver que as empresas não oferecem recursos necessários para o desenvolvimento do trabalho.”

O segredo para reter os colaboradores, segundo o especialista, é demonstrar com clareza as estratégias da companhia, ter uma política de benefícios, indicar os caminhos para os funcionários de como fazer para crescer e dar autonomia. “A mudança cultural tem de vir de cima para baixo nas organizações.”

Uma empresa que agrega o funcionário desde o momento da contratação é a Minuto Seguros. Tanto é que a rotatividade de funcionários na corretora é nula. Segundo Marcelo Blay, sócio-diretor da companhia, o segredo para reter os colaboradores é fazer com que eles se sintam parte do processo. “Essa área possui um enorme turn over. Mas nós pedimos para a pessoa que tem interesse em trabalhar conosco para ler nossos valores, princípios e filosofia. Se estiver de acordo, já é um bom primeiro passo”, afirma. Mas é no dia a dia que o executivo mantém o engajamento dos 150 profissionais que integram a equipe da corretora que vende apólices on-line. “Sempre que acontece algo importante, eu ligo o viva-voz e comunico a todos. Assim, as pessoas sabem exatamente para onde a empresa está indo e veem que estão indo junto”, acrescenta. “Isso é importante até mesmo para o meu cliente. Ele sabe que pode ligar e conversar sempre com o mesmo técnico, o que gera uma questão de confiança.”

Outra pesquisa recente da Hay Group, denominada Best Companies for Leadership, aponta que 95% das companhias que aparecem no ranking mundial afirmaram que seus líderes seniores dispõem de tempo para desenvolver pessoas e 90% disseram que os líderes trabalham ativamente para que os colaboradores entendam as estratégias da empresa a longo prazo. Nas demais empresas isso ocorre, respectivamente, em 48% e 53%.

O resultado prático dessas decisões é que as 20 principais companhias superam seus pares na bolsa. Em 10 anos, as empresas que compõem o S&P 500 tiveram retorno de 2,92%, enquanto as empresas que aparecem no levantamento se valorizaram 5,39%.

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