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Universidade foi dispensada por Eike Batista, Silvio Santos, Bill Gates e Mark Zuckerberg que tinham ideias geniais, talento desproporcional, dom e empenho para correr atrás delas

Eike Batista começou a carreira negociando ouro
AE
Eike Batista começou a carreira negociando ouro

Imagine um jovem de 21 anos que larga a faculdade e começa um novo negócio. Quais seriam as chances de ter sucesso? A resposta mais tradicional seria “poucas”, afinal ele não tem um diploma universitário e os conhecimentos que a faculdade proporciona. Mas saiba que esta é parte da história de Eike Batista, presidente do Grupo EBX, com seis empresas listadas na bolsa de valores. “Cursei dois anos e meio de engenharia e decidi que estava pronto. Comecei a negociar ouro — movimentei R$ 60 milhões e ganhei R$ 6 milhões”, contou em evento público, sobre o início da carreira.

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Eike Batista faz parte do grupo de executivos considerados ‘fora da curva’, que se deram ao luxo de deixar uma faculdade para seguir uma ideia, um talento, empreender, fazer história no mundo profissional e que acabaram sendo reconhecidos internacionalmente. Na seleta turma, estão os americanos Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg, gênios da tecnologia, além dos brasileiros Silvio Santos e Raul Randon.

“Eles não tiveram graduação, mas tiveram sorte, talento, tino comercial ou foram perseverantes”, destaca o gerente de transição de carreira da Thomas Case & Associados, Renato Waberski. “Hoje o que conta bastante em relação ao mercado de trabalho também é a trajetória da pessoa”, diz.

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No caso de Eike Batista, o grande segredo é que ele já começou a carreira com dinheiro no bolso e com uma vivência internacional avançada. Ele passou a infância no Brasil e, na adolescência, morou na Suíça, Alemanha e Bélgica, acompanhando a carreira de seu pai, Eliezer Batista da Silva, ex-presidente da Vale e ex-ministro das Minas e Energia. “Ele já nasceu rico”, afirma Waberski, sem descartar a competência de manter o grande negócio, o que é possível cercando-se de técnicos.

A especialista em coaching corporativo, Caroline Calaça, diz que ensino superior nunca foi garantia de sucesso, mas que a característica de ser um bom empreendedor ajuda bastante. “E empreendedorismo nem todo mundo tem no sangue.”

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O tino para os negócios é a característica, por exemplo, de Silvio Santos. Filho de pai grego e mãe turca, ele nasceu na Lapa, no Rio de Janeiro e, aos 14 anos, era camelô. Sua voz, no entanto, fez dele um ótimo radialista. Mudou-se para São Paulo, começou na TV e hoje é proprietário do SBT e de outras marcas.

Além do espírito empreendedor, outro segredo desses executivos de destaque é ter um sonho. “Não considero em hipótese alguma que a formação de uma pessoa seja importantíssima para o sucesso. Há quem faça doutorado e não tenha sucesso. É preciso ter um sonho, paixão e se entregar”, afirma José Luis Lopez, da Actioncoach. Como exemplo, ele cita o fato de Silvio Santos ter tido um banco, o Panamericano, mas de esta não ter sido a paixão dele, por isso ter levado ao caminho que levou: o banco foi protagonista de escândalos e o executivo se desfez de sua participação.

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No entanto, o exemplo desses executivos não deve servir para quem está começando no mercado de trabalho, que hoje exige um diploma universitário como item básico em um currículo. “Para quem está ‘dentro da curva’, é importante investir o quanto mais em formação”, aponta Waberski. Ainda mais se a carreira escolhida estiver mais relacionada com a lógica do que com a criatividade.

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