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Empresas de biotecnologia, TI, máquinas e construção civil investem na formação de colaboradores e lidam com o desafio de reter talentos em um mercado acirrado

Em tempos de crescimento do mercado interno, as empresas no Brasil se deparam com a dificuldade de encontrar profissionais devidamente qualificados. Na Syngenta, multinacional que atua na área de biotecnologia, nos últimos anos a demanda por profissionais de áreas técnicas, como de pesquisa e desenvolvimento, laboratório e até de gestores, aumentou além da oferta de mercado. “Na área técnica, chegamos a ficar 90 dias, entre a abertura da vaga e contratação do profissional”, afirma Cintia Bossi, diretora de Recursos Humanos da empresa.

Cinthia explica que esse é um fenômeno que atinge a todas as companhias do setor de biotecnologia. “Geralmente, o número de profissionais que atendem às necessidades são tão poucos, que em pouco tempo conhecemos todos”, diz.

E se tem um setor que vem sofrendo com a falta de profissionais é o de construção civil. Celso Alves, gerente geral de Recursos Humanos da Cyrela, afirma que, atualmente, o mercado não está em ritmo tão acelerado como há dois anos. “Acreditamos que o setor continuará demandando profissionais, mas haverá um equilíbrio maior entre oferta e demanda”, diz. Em média, as vagas para corretores, funcionários de obra e engenheiros levam entre 20 e 30 dias para ser preenchidas.

Na AGCO, a falta de mão de obra também é um desafio. “Temos demanda por engenheiros e é difícil encontrar”, explica André Carioba, vice-presidente sênior da companhia para a América Latina. Segundo ele, a tecnologia agrícola evoluiu de forma acelerada e falta, inclusive, profissionais aptos a oferecer suporte ao produtor.

O mesmo acontece com a SAP, empresa especializada no desenvolvimento de ferramentas e sistemas de segurança da informação. “Temos feito esforço muito grande para formar profissionais, por meio de apoio a parceiros”, afirma Luís César Spalding Verdi, vice-presidente sênior da SAP.

Seguindo a lei de mercado da oferta e demanda, muitas vezes, especialmente em cargos de altos executivos, a escassez de profissionais dá origem a salários significativos. Jeffrey Abrahams, presidente da consultoria que leva seu nome, explica que no setor sucroalcooleiro, a demanda gerou salários do naipe de jogador de futebol. “O agronegócio cresceu de forma acelerada nos últimos anos enquanto faltam profissionais experientes”, diz. Mas chegar nesse patamar de valorização não é nada fácil. Além de conhecimento técnico, de mercado, domínio de ferramentas de gestão e liderança, é preciso se provar. “Esse profissional precisa apresentar os resultados de gestões anteriores”, diz Abrahams.

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que até 2015, o mercado brasileiro terá demanda por 7,2 milhões de profissionais de nível técnico. Desses, 1,1 milhão será por novos profissionais e o restante, melhora na formação de quem já está no mercado. Para Abrahams, o desafio é promover educação técnica. “As faculdades também terão que rever seus currículos.”

No que tange às companhias, um ponto em comum entre todas as entrevistadas está no investimento em formação. “As empresas de forma geral, estão fazendo sua parte nesse quesito”, declara Alves.

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