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O profissional responsável pelas relações de uma empresa com seus investidores (RI) é cada dia mais cobiçado e valorizado

Nos últimos anos, os profissionais da área de relações com investidores, conhecidos como RIs, vem ganhando prestígio — e salários — cada vez maiores. Hoje, o salário médio de um diretor de RI é de mais de R$ 20 mil. Em 2009, apenas 5% dos coordenadores de RI ganhavam mais de R$ 10 mil, hoje, são 13%.

Outra novidade é a entrada de mais mulheres na área.Isso pode ser visto na Eternit, empresa que ganhou, no ano passado, dois prêmios do IR Global Rankings pelo balanço anual on-line e pela governança corporativa. A companhia contratou, em janeiro, uma analista sênior — a primeira da equipe. Rodrigo Luz, gerente de RI e controles internos, conta que entrou para a área em 2004, depois de passar por um processo seletivo interno. Formado em Ciências Contábeis, o executivo diz que o profissional de RI tem que ser dinâmico e saber de legislação, negócios, marketing, finanças e comunicação. “É uma profissão bastante promissora que atrai profissionais a cada dia”, afirma.

Atualmente, o maior desafio da área é aumentar a liquidez da companhia na bolsa. No ano ano passado, o giro médio era de R$ 750 mil, hoje, já pé o dobro. “A nossa meta é incluir a Eternit no Ibovespa”, afirma sobre o índice que reúne as empresas de maior liquidez na bolsa. “Aumentamos a quantidade de reuniões públicas (hoje são seis) e, como poucas casas cobrem a Eternit, temos proatividade: marcamos reuniões com possíveis investidores para tentar, assim, aumentar liquidez.”

O diretor RI da Cemig, Luiz Fernando Rolla, está há bastante tempo no cargo. Mas nem por isso deixa de enfrentar desafios dia após dia. “A comunicação com os interlocutores foi e é um dos maiores desafios enfrentados pelos profissionais de RI. É preciso calibrar a mensagem que a companhia quer passar ao interlocutor, seja ela analista ou acionista”, destaca.

Potencial

A contrapartida é que o potencial de crescimento do profissional é enorme, pelo potencial de crescimento do mercado de capitais brasileiro e do avanço registrado nos últimos anos. Ele lembra que não só empresas listadas em bolsa de valores demandam a experiência desse tipo de profissional, mas companhias que buscam captar recursos via emissão de títulos de renda fixa. “Não podemos esquecer das empresas alvo de fundos de venture capital, que em algum momento serão ofertadas a investidores.”

O executivo, que também é presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), lembra que o profissional que quer atuar nessa área tem que ter profunda qualificação em finanças e legislação societária, conhecimento do setor em que empregador atua e participar ativamente do planejamento estratégico da companhia.

Rolla é um entusiasta da profissional. “Temos uma agenda de investimentos a cumprir, principalmente em projetos de infraestrutura, e o mercado de capitais deve ser um dos atores desse financiamento. Nesse sentido, novas empresas devem vir a mercado e, consequentemente, contratarem esses profissionais.”

Segundo Gilberto Guimarães, executivo de gestão de carreira, o profissional de RI tem uma carreira de negócios voltada para a área jurídica. “Não é um cargo simples. Mesmo com o número crescente de empresas fechando capital, a área de RI não vai desaparecer. Afinal, muitas se mantém como sociedades anônimas. Sem falar que outras vão acabar entrando para o mercado de capitais.”

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