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Esporte melhora o condicionamento físico e reduz o tempo entre a casa e o trabalho nas grandes cidades

Há seis anos, havia apenas duas bicicletas estacionadas no prédio comercial onde trabalha Marcos Yamamoto, 44 anos, diretor de operações da Cisco. Hoje, o bicicletário do imóvel localizado no Brooklin, na zona sul da cidade, abriga cerca de 50 delas. O local acabou sendo ampliado e ganhou também vestiário e armários.

O número ainda é pequeno se considerarmos as cinco mil pessoas que trabalham no mesmo prédio. Mas, com a criação de mais ciclovias na cidade, é cada vez mais comum a opção pelo transporte em duas rodas para ir ao trabalho como forma de evitar o trânsito enfrentado no trajeto diário.

Desta forma, é possível melhorar a qualidade de vida ao eliminar o estresse do congestionamento e praticar uma atividade física. Marcos, que mora na Chácara Santo Antônio, percorre dez quilômetros por dia. No caminho, há uma ciclovia, que facilita o trajeto. Ele resolveu utilizar a bicicleta como meio de transporte até o trabalho ao se mudar para São Paulo. O executivo morava em Brasília.

Ele conta que começou aos poucos. “Houve um período de adaptação, no qual chegava cansado e suado no trabalho”. Hoje, Marcos consegue manter um ritmo de 10 a 12 quilômetros por hora, que equivale a uma caminhada rápida, e conta que adquiriu habilidade ao participar de grupos de ciclismo.

“Além de fugir do trânsito, ganho condicionamento. Não me importa a distância, mas a previsibilidade. Sei sempre que chegarei em meia hora em casa. Não tenho surpresas com congestionamentos”.

Marcos optou por uma bicicleta para trilhas, com pneus mais grossos. “Enfrento no trajeto asfalto ruim e buracos. A bicicleta de estrada acaba sendo frágil para a cidade. Preferi uma mais durável, que já serve para as trilhas aos finais de semana”.

Gustavo de Lima Carvalho, 32 anos, gerente de operação de data center, pedala 50 quilômetros por dia para ir e voltar do trabalho motivado pela falta de tempo para realizar atividades físicas. “No início foi bem difícil, tanto pela necessidade de um maior condicionamento físico como pela dificuldade de acessos. Apesar de ter aumentado a quantidade de ciclovias na cidade, não há nenhuma que posso utilizar no trajeto entre o bairro onde moro, o Tatuapé, e a Avenida Anchieta, onde trabalho”, conta.

Ele busca evitar vias de maior tráfego. Caso não seja possível, fica atento às regras de trânsito.

Gustavo optou por uma bicicleta de estrada. “Coloco a mochila com notebook nas costas e roupa de ciclista. Ao chegar, tenho onde tomar banho antes de começar a trabalhar na empresa”.

Quando tem aula do MBA à noite, o gerente faz o percurso de carro e nota a diferença de tempo. “Enquanto de bicicleta levo 50 minutos, levo uma hora e meia de carro. É um ganho de tempo grande. Passo pela mesma coisa à noite”, conclui.

Atividade aeróbica, a bicicleta previne doenças vasculares e atrai quem sente que joga fora o tempo na academia, pedalando parado no mesmo lugar.

Kátia Rubio, psicóloga e professora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, faz recomendações. Antes de utilizar a bicicleta como meio de transporte, é necessário fazer uma avaliação física e médica, o que torna possível planejar a atividade.

“Quem é sedentário precisa aumentar o ritmo gradualmente. Dessa forma, previne problemas de saúde e mantém a motivação. Se criar grandes metas, corre o risco de se frustrar e abandonar a atividade”.

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