Conte com ajuda da empresa para se especializar lá fora

Seleto grupo de executivos tem respaldo da companhia, que chega a custear curso de US$ 100 mil. Uma ajuda e tanto!

Brasil Econômico - Flávia Furlan |

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Após quase uma década na empresa de transmissão e autorização de transações eletrônicas APPI, o engenheiro químico Luis Filipe Cavalcanti decidiu que havia chegado a hora de fazer uma especialização no exterior. A ideia era desenvolver habilidades de negócios e também de gerenciamento de equipes, afinal, sua formação acadêmica era basicamente técnica. Foi então que ele arrumou as malas e, em 2010, mudou-se para os Estados Unidos para uma jornada que duraria cerca de um ano com a mulher e o filho, na época com um ano e cinco meses de idade.

Na sala de aula, tinha contato com executivos de 27 países. Por e-mail, conseguia conversar com presidentes de renomadas empresas americanas. Em visitas a companhias, conhecia de perto os procedimentos, fazia estudos de caso e, inclusive, ajudava na solução de problemas. Ao final, conquistou o título de mestre em administração pela escola de negócios do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e muito mais: “Conheci outras culturas, tive de lidar com pessoas de diferentes nacionalidades e venci mais um desafio.”

Mas tudo isso não seria tão fácil sem o apoio da empresa em que trabalhava. Neste caso, diferentemente da maior parte dos brasileiros, a APPI ajudou com o pagamento do curso em si — que fica em torno de US$ 100 mil por um ano, contando viagens internacionais e pelos Estados Unidos — enquanto o executivo custeava seus gastos pessoais, que de acordo com o próprio MIT variam entre US$ 4 mil e US$ 6 mil mensais, dependendo do tamanho da família.

“Fiz todo o processo de administração formal, com apresentação de currículo, teste de proficiência e entrevistas, com a empresa me apoiando. Quando fui, sabia que na volta, após um tempo, assumiria uma nova posição e que a empresa estava fazendo um investimento em mim”, destaca o executivo, que depois da especialização acabou nomeado presidente e teve reajuste de cerca de 20% em seu salário.

Lucas Peschke, gerente da Hays, afirma que o percentual de profissionais que saem para fazer o curso de especialização por conta própria é maior do que os que vão apoiados pela companhia em que atuam. “Alguns anos atrás, as empresas enxergavam que o brasileiro estava defasado e investiam no curso no exterior, o que não é mais tão frequente.”

O investimento ainda é feito dependendo do histórico do executivo na empresa e também o que ele já agregou e pode agregar para os negócios. Nestes casos, Peschke acredita que tudo deve ser combinado em detalhes. “Quando o profissional voltar, obviamente que o previsto há dois anos pode ter mudado, então tudo deve ser reavaliado”, diz.

É interessante o executivo tentar casar os objetivos da empresa com as suas metas pessoais e profissionais. No caso de Cavalcanti, por exemplo, a mulher também fez uma especialização no exterior. Ela, que é advogada, cursou na Harvard, enquanto o filho iniciava na educação infantil em um colégio americano.

Danilo Hayakawa, gerente da divisão de Finanças e Contabilidade da Robert Half, pondera que o curso no exterior é dado a partir de gerência sênior até a diretoria e, às vezes, a profissionais de outros cargos tidos como talentos. Os cursos normalmente duram de um ano a dois e, na maioria dos casos, há multa se o profissional pedir demissão logo após o término. “A multa é o valor do curso e, quanto mais tempo na empresa, menor o valor.”

De acordo com ele, os executivos vão para o exterior pela experiência internacional, que deixa atrativa a mudança de país. Para ele, o profissional deve ter bem claro qual o objetivo com o curso: “Muitos buscam especialização para melhorar o currículo, mas recomendamos que seja feito pela busca do conhecimento.”

E é justamente isso que será cobrado pelas empresas. Goret Pereira Paulo, diretora do FGV in company, destaca que as empresas investem mais nos cursos que tenham ênfase nos negócios. “Elas não querem apenas funcionários mais sábios, mas que possam trazer resultados para a rotina de trabalho”, diz.

No final do curso, Cavalcanti elaborou uma tese na área de pagamentos pré-pagos, o que é opcional em seu curso e que lhe rendeu o título de mestre em administração de empresas. “A APPI achou interessante desenvolver essa área de negócios e, com base na tese, criamos a unidade de pré-pagos que temos na empresa”, comemora o executivo.

Em sua experiência, Cavancanti percebeu que é comum que os alunos que façam o curso de especialização no exterior desenvolvam as suas teses em alguma empresa, até mesmo fora de seu país de origem. É o casamento entre a academia e o universo dos negócios dando resultados.

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