Faça seu projeto decolar e atravessar fronteiras

Com a admiração cada vez maior do profissional brasileiro no exterior, ficou mais fácil emplacar uma boa ideia em outro país. Dedicação total é fundamental para o sucesso

Brasil Econômico - Flávia Furlan |

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Uma pessoa está em uma loja nos Estados Unidos e tira da carteira o cartão para pagar as compras. A cena passa despercebida por muitos que lá circulam, mas a executiva Rose del Col, 50 anos, presta sempre muita atenção ao momento. Isso porque foi ela quem desenvolveu o projeto do plástico pré-pago para viagem da American Express. “Dá até emoção quando vejo alguém com o cartão”, diz ela, que começou a pensar no produto antes mesmo de ser contratada pela empresa em 2008. “Na minha entrevista de emprego em Nova York, já perguntei para o chefe sobre a possibilidade de desenvolver o cartão e ele me disse que quem deveria responder isso era eu.”

Logo que começou seu trabalho, Rose ficou focada no mercado de traveller checks, para o qual tinha sido contratada, principalmente porque no final de 2008 veio a crise mundial. Passada a turbulência, a executiva avançou no projeto, justificado pelo crescimento das viagens e gastos dos brasileiros ao exterior. “Fizemos pesquisa para ver se o consumidor aceitava o cartão e a resposta foi positiva.”

Ao mesmo tempo, a equipe da Austrália também começou a desenvolver o produto, de acordo com as particularidades do país. A partir daí, Rose se preocupou em fazer o cartão com conceito global, para ser exportado. E foi isso o que aconteceu: ele está agora nos EUA, Índia, África do Sul e China e há plano para vendas na Argentina e México. O ‘bebê’ da executiva, como ela chama o cartão, está ganhando o mundo.

O mesmo orgulho do projeto que desenvolveu tem também Olavo Falleiros, que preside a MIB Group, empresa especializada em produtos para marketing promocional. Seu projeto consiste em reverter o consumo de papel em uma quantidade de mudas a serem plantadas pela ONG SOS Mata Atlântica. A cada 25 quilos de papel consumidos, planta-se uma muda.

O sucesso foi tamanho que a Marin’s International, na França, que faz parte da holding da MIB Group, resolveu implementá-lo em outros países. “Foi muito boa a repercussão e muito bacana a sensação de fazer esse projeto”, diz Falleiros, que teve reconhecimento internacional pela iniciativa sustentável. “Tem clientes nossos, grandes empresas, que receberam carta da matriz na Europa com a ordem de, aqui no Brasil, só comprar com a gente.”

Rodrigo Vianna, diretor da Hays, afirma que o profissional brasileiro vem sendo admirado no exterior. Desta forma, exportar um projeto se torna mais fácil, ainda mais se a atuação do executivo for em um setor em que o Brasil já é bem reconhecido. “Se pegarmos os setores de automóveis, petróleo e gás e de médias e pequenas empresas de tecnologia, há um grande destaque para o Brasil”, afirma Vianna, sem desconsiderar que os próprios executivos estão se preparando mais para esse momento, no que diz respeito ao aprendizado de idiomas e estudo acadêmico.

Mas nem tudo são flores no desenvolvimento de um projeto. O executivo enfrenta jornadas longas com a equipe, que tem de faltar a festas, jantares com a família e, até, se ausentar em finais de semana. Isso porque dedicação total é fundamental para o sucesso. “Não tenho filho, mas sou casada e meu marido me deu total apoio para que me empenhasse”, diz Rose, que teve seu projeto premiado como o mais inovador, reconhecimento do presidente mundial.

O espírito de liderança também tem de ser aguçado, mesmo porque às vezes a equipe comandada não está no mesmo fuso horário. A dica que Rose deixa para quem está trilhando o caminho é persistência. “Nem sempre é fácil porque uma empresa global tem um mundo inteiro para prestar atenção, mas basta acreditar nas convicções que os frutos virão.”

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