Remuneração de executivos custa caro a acionistas

Oi, Eletrobras e Cemig mostram melhor relação custo/benefício, mas apesar da economia fraca bônus devem crescer neste ano

Léa De Luca - Brasil Econômico |

Quanto os acionistas devem pagar aos executivos e conselheiros das companhias abertas para ter um centavo de lucro por ação? Segundo estudo da consultoria Management & Excellence, esta é uma pergunta que até agora poucos investidores faziam — mas que já começa a preocupar.

Estudo foi realizado com 30 empresas com ações negociadas na BM&FBovespa (das quais 17 são integrantes do novo índice M&E LF de empresas sustentáveis e 13 das maiores do Brasil por valor de mercado (abaixo, quadro com as Top 20). O resultado mostra que em alguns casos, para conseguir um centavo de ganho o acionista precisa pagar mais de R$ 126 mil aos executivos da companhia — caso do Santander. No entanto, neste caso a explicação está na grande quantidade de ações do banco no mercado: os ganhos são distribuídos entre 212,4 bilhões de ações ordinárias e 185 bilhões de preferenciais.

Na outra ponta, entre as que apresentam melhor relação custo/benefício (menor pagamento em troca de um centavo de ganho) estão Oi, Eletrobras e Cemig. Curiosamente, são todas de setores de serviços básicos e todas ex-controladas pelo setor público.

A má notícia é que a Oi, por exemplo, pretende aumentar a remuneração paga aos acionistas em 684% neste ano, o que significa que os atuais R$ 20,5 mil pagos para gerar um centavo de ganho por ação vão aumentar drasticamente. “E não apenas ela, mas muitas dessas 30 empresas estão planejando fazer o mesmo”, informa Bill Cox, presidente da M&E. As informações sobre remuneração são colhidas de relatórios anuais enviados a entidades reguladoras do mercado de capitais, como o relatório de referência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil e o m,modelo 20F, à Securities and Exchange Commission (SEC), sua equivalente nos Estados Unidos. Escondidas no meio desses extensos documentos, as informações são de difícil acesso mas revelam muito sobre a gestão das empresas e seu respeito aos investidores, diz Cox.

O ranking mostra as empresas que geram mais valor aos acionistas com base no critério de remuneração de seus executivos, parte central da governança corporativa de uma companhia aberta. “O controle dos acionistas sobre executivos e conselhos das empresas é o coração da governança”, acredita Cox.

Falta de transparência

A remuneração dos executivos é fator chave para pressionar os líderes a entregar resultados melhores mas a maioria das 30 empresas analisadas pelo estudo divulga pouca ou nenhuma informação sobre isso.

“Eletrobras foi a primeira a revelar essa relação no formulário de referência no ano passado, e a desenvolver o esquema de remuneração aos executivos baseado e desempenho, implantado em abril último”, diz Cox. E também é uma das poucas do grupo que prevêm reduzir o total pago aos executivos e conselheiros de R$ 6,7 bilhões para R$ 5,3 bilhões. Segundo Cox, essas previsões também são informadas somente aos órgãos reguladores. Natura e BicBanco são os únicos que publicam essa informação no relatório anual .

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