Executivos encontram vagas com bons salários fora do eixo Rio/SP

Seja pelo desafio profissional ou para melhorar a qualidade de vida, mudar pode fazer bem à carreira

Flávia Furlan - Brasil Econômico |

O engenheiro civil Thomaz Souza, de 34 anos, gerenciava uma equipe em uma construtora de renome na cidade de São Paulo quando foi surpreendido por um telefonema, há um ano, de um headhunter com uma proposta de emprego. O detalhe é que a vaga era para atuar em uma empresa do Nordeste, região que ele nunca havia sequer visitado. Apesar disso, aceitou o desafio, arrumou as malas e partiu rumo a Recife.

“Nunca foi meu desejo sair de São Paulo e o que me atraiu foi a possibilidade de fazer parte de uma companhia em estágio inicial de formação e de a empresa ser de um segmento que me interessava”, conta. A remuneração também não passou despercebida: a proposta era de um salário 40% maior do que aquele que Souza recebia em São Paulo e, além disso, ele passou a contar com benefícios como auxílio moradia (a propósito, mora em frente à praia) e um veículo executivo a sua disposição.

O resultado é que, no médio prazo, ele nem pensa em voltar para São Paulo, mesmo mantendo um apartamento e tendo deixado a filha na cidade, que consegue visitar frequentemente, esticando as viagens a negócios. “Assim como grandes cidades, Recife tem seus problemas, mas aqui tenho uma qualidade de vida melhor. Não é tão agitada como São Paulo e, por esse motivo, consigo dosar melhor tempo e dedicação entre o trabalho e o lazer.”

Souza faz parte do grupo de profissionais brasileiros que encontram satisfação pessoal e profissional fora do eixo entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, que apesar de ainda serem as maiores contratantes do Brasil, têm presenciado um destaque maior para a geração de emprego em outras capitais, como Recife e Curitiba — e até para regiões mais remotas como Parauapebas (Pará) e Camaçari (Bahia).

“A mudança do eixo de contratações tem se intensificado muito nos últimos dez anos, seguindo a mudança do Brasil, com aumento da renda da população e crescimento da classe média”, afirma Marcelo Cuellar, consultor da Michael Page. “O que ascende mais são as capitais do Nordeste e cidades do Norte ligadas a alguma iniciativa privada como a ida de montadoras e mineradoras.”

Essas regiões mais distantes dos grandes centros muitas vezes pecam em infraestrutura, lazer, educação para os filhos. Cuellar conta que, em Parauapebas, que se desenvolveu devido à presença da mineradora Vale na região, é difícil encontrar hospedagem e faltam serviços durante a noite. “Antes de aceitar uma proposta como esta, o profissional tem de se conhecer, analisar o aspecto familiar e saber mais sobre a localidade”, diz.

Apesar disso, muitos profissionais topam o desafio porque querem realizar um grande projeto ou para se destacarem dentro de uma filial da empresa e, desta forma, galgar posições. Pela possibilidade de um grande feito na carreira é que a proposta se torna mais interessante para um engenheiro do que para um profissional de posição administrativa, como jurídico, finanças e recursos humanos. Desta forma, as empresas têm mais dificuldade de contratar o pessoal de back office e elevam os salários para esses cargos.

O líder da Hays em Campinas, Rodrigo Soares, conta que a nova geografia de contratações fez a empresa especializada em recrutar profissionais para média e alta gerência abrir filiais em Campinas há dois anos e em Curitiba há um ano.

Quanto à escolha de ter aberto um escritório em Curitiba, a Hays neste caso acompanha a demanda da indústria automobilística na região Sul. Neste caso, a mudança também se dá mais pelo crescimento profissional do que pelo salário. De acordo com Soares, da Hays, a remuneração costuma ser de 10% a 15% menor do que no eixo Rio-São Paulo. Apesar disso, a região tem ótimas universidades formadoras de mão de obra qualificada.

De acordo com Soares, no interior de São Paulo, há demanda para a área de engenharia, projetos, vendas e finanças. A mudança, neste caso, está ligada normalmente à busca por qualidade de vida, uma vez que os salários se equiparam com aqueles praticados na capital do estado. “Muitas vezes o profissional acaba ganhando entre duas e quatro horas diárias para a família ou para produtividade no trabalho, dependendo da carreira.”

Souza, que mudou de São Paulo para Recife, conta que apesar do trânsito na capital pernambucana, conseguiu incluir um curso de MBA (Master Business Administration) no currículo, o que ficaria mais difícil com a situação caótica do trânsito de São Paulo. “Terei um crescimento intelectual”, acredita. No entanto, ele diz que a decisão de mudar, em seu caso, foi mais fácil por ele não ter ido com a família. “Como não tive esse impeditivo, foi mais tranquilo tomar a decisão de mudar.”

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