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Por Silvio Cascione SÃO PAULO (Reuters) - A melhora do ambiente internacional e a entrada de capitais no país devolveram o dólar nesta terça-feira ao nível registrado antes do anúncio dos planos de reestruração da dívida em Dubai.

A moeda norte-americana terminou o dia a 1,723 real, com baixa de 1,88 por cento. Foi a maior queda percentual do dólar em um único dia desde 23 de junho. No ano, a divisa acumula desvalorização de 26,15 por cento.

"(O dólar foi) influenciado pelo bom humor lá fora. O efeito Dubai começa a ser absorvido, e o mercado começa a voltar aos níveis atingidos antes", disse Rodrigo Nassar, gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora.

A cotação de fechamento desta sessão é a menor de 18 de novembro, mais de uma semana antes do susto provocado por Dubai com os planos para adiar o pagamento de parte da dívida das empresas Dubai World e Nakheel.

No exterior, as bolsas de valores subiam mais de 1 por cento no fim da tarde, junto com outros ativos ligados a risco como commodities e moedas emergentes. Na outra ponta, o dólar se desvalorizava 0,71 por cento em relação a uma cesta com as principais moedas.

A avaliação da maior parte do mercado nesta sessão é a de que os problemas da dívida de Dubai, embora sejam um sinal de alerta com o rescaldo da crise financeira do ano passado, não têm calibre para prejudicar significativamente o setor bancário --principalmente com a garantia de liquidez dada pela autoridade monetária dos Emirados Árabes Unidos.

Além disso, a nova injeção de liquidez por parte do banco central japonês, com volume de cerca de 115 bilhões de dólares ao longo de três meses, também acalmou o mercado.

Outro motivo que favoreceu a queda do dólar foi a entrada de recursos no país, relatada por vários profissionais de mercado. De acordo com o operador de um dos maiores bancos nacionais, porém, o ingresso foi concentrado no começo do dia.

O volume ficou dentro da média das últimas semanas, com cerca de 1,8 bilhão de dólares no mercado interbancário por volta de 16h, segundo um operador de uma corretora nacional.

A queda do dólar para perto de 1,70 real, no entanto, traz de volta a dúvida a respeito da possibilidade de novas medidas do governo para frear a valorização da divisa brasileira. "Isso ainda paira no mercado", disse Nassar.

"O mercado de câmbio só não está galgando níveis maiores (para o real) em decorrência da possibilidade de uma nova intervenção do governo. Mas conforme vai passando o tempo e ele (o governo) não atua, o mercado busca novos patamares até testar a paciência do governo", comentou o gerente.

Além disso, alguns agentes de mercado pregam cautela com o panorama global, que pode voltar a piorar ao longo do próximo ano e puxar um ciclo de alta do dólar.

"A retirada dos instrumentos de liquidez no G7, notavelmente nos Estados Unidos e na zona do euro, tem o potencial de tornar os mercados mais nervosos no primeiro semestre de 2010", avaliou o banco BNP Paribas em relatório.

"Nós prevemos que o dólar testará 1,90 real no segundo trimestre de 2010, e recomendamos a investidores que capitalizem essa perspectiva por meio de opções", completou.

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