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Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 23 de abril (Reuters) - O dólar ficou praticamente estável nesta sexta-feira, com leve baixa em uma sessão de poucas oscilações após a decisão da Grécia de pedir a ajuda oferecida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 23 de abril (Reuters) - O dólar ficou praticamente estável nesta sexta-feira, com leve baixa em uma sessão de poucas oscilações após a decisão da Grécia de pedir a ajuda oferecida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

A moeda norte-americana fechou a 1,762 real, com variação negativa de 0,17 por cento. O dólar terminou a semana estável. No ano, a moeda tem alta de 1,09 por cento.

Após meses de incerteza sobre a capacidade da Grécia de financiar o enorme déficit orçamentário, o país decidiu usar o dinheiro oferecido pela UE e pelo FMI. O empréstimo deve começar a chegar antes de 19 de maio, conforme espera o ministro grego das Finanças, George Papaconstantinou.

Na primeira metade da sessão, o mercado local acompanhou a estabilidade do euro no exterior e teve um leilão de compra realizado pelo Banco Central às 12h15. No fim da tarde, a moeda manteve-se acima de 1,76 real, mesmo com a alta de quase 0,8 por cento da moeda comum europeia.

Sem um rumo claro para o mercado de câmbio no exterior e com a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana que vem, a maioria dos agentes preferiu manter as atuais posições.

Uma parte do mercado tem apostado na queda do dólar. Os estrangeiros, por exemplo, exibiam 3,5 bilhões de dólares em posições vendidas nos mercados de dólar futuro e cupom cambial. Alguns agentes, porém, ainda têm cautela com um recuo abaixo de 1,75 real por causa da atuação do BC, que na semana passada realizou dois leilões de compra de dólares no mesmo dia.

"Para a semana que vem, (o mercado) deve continuar na mesma toada. Mas com a expectativa de entrada de dinheiro, pode ter uma mexida pontualmente", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença, em referência à previsão de fluxo positivo considerada por muitos investidores por causa de emissões de dívida e ofertas de ações.

Outro motivo que pode reforçar o ingresso de divisas é a provável alta dos juros na quarta-feira. Há incerteza, porém, sobre a intensidade do movimento.

"Se as taxas forem elevadas de forma agressiva, o real pode se beneficiar dos recursos atraídos pelos juros altos... o contrário será verdade se houver um ciclo mais morno de alta dos juros", escreveram analistas do RBC Capital Markets.

Dezesseis de 25 instituições financeiras consultadas pela Reuters previam na quinta-feira um aumento de 0,50 ponto percentual da Selic na semana que vem. As outras nove esperam uma alta de 0,75 ponto .

"De modo geral, esperamos que o real continue a se beneficiar dos juros altos, embora possa haver surtos intermitentes de alta do dólar por causa de incerteza política", concluíram.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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