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A desvalorização do dólar ajudou a segurar a inflação pelo IGP-10, que passou de 1,12% para 1,15% em outubro

A desvalorização do dólar ajudou a segurar a inflação calculada pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que passou de 1,12% em setembro para 1,15% em outubro. O principal efeito do câmbio ficou no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que desacelerou de 1,63% para 1,51% no mesmo período.

O coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Salomão Quadros, ressaltou que o efeito do câmbio ainda não pode ser mensurado, embora tenha havido influência cambial dentro do IPA no grupo materiais e componentes para manufaturas, que passou de 0,39% em setembro para um deflação de 0,03% em outubro. Dentro desse item, os materiais para manufatura passaram de uma alta de 0,49% em setembro para uma queda de 0,07% em outubro.

Entre os produtos enumerados por Quadros como prováveis atingidos pelos efeitos cambiais, destaque para a celulose, que caiu 0,27% em setembro e aprofundou a queda para 5,21% em outubro, e para os produtos siderúrgicos, que caíram 1,27% em setembro e recuaram 2,14% em outubro.

"Pode ser que o movimento do câmbio, por ter sido recente, não tenha influenciado tanto assim. Ele ajuda a segurar o IPA, mas não é o único fator", frisou Quadros. "O câmbio já saiu da inércia e começa a se tornar um fator relevante. É provável que nos próximos IGPs o efeito do câmbio fique mais nítido e mais forte", acrescentou, lembrando que os bens de investimento também sofreram efeito do câmbio, com desaceleração de 0,49% em setembro para 0,01% em outubro.

Quadros acredita em uma desaceleração do IPA, que representa 60% do IGP, nas próximas divulgações. Em outubro, a desaceleração do IPA foi atenuada pelos alimentos, principalmente o feijão, que passou de uma deflação de 7,71% em setembro para uma alta de 43,03% em decorrência de uma quebra de safra devido às chuvas no Nordeste.

O produto contribuiu com 0,38 ponto percentual de alta para o IPA e puxou a alimentação, que passou de 2,21% em setembro para 4,56% em outubro. Outro fator de pressão nos alimentos veio do açúcar cristal, que passou de 13,56% em setembro para 17,96% em outubro.

Em contrapartida, outros alimentos mostraram tendência de desaceleração, como o tomate, que subiu 19,23% em setembro e 11,61% em outubro; a carne bovina, que passou de 7,96% para 4,56% no mesmo período; e o óleo de soja, que passou de 13,87% para 1,21%.

"Acredito que perfil de alta no IPA, muito dependente da alimentação, vai perder força", disse Quadros, que lembrou também do impacto das matérias-primas agropecuárias, que passaram 4,44% para 5,06% entre setembro e outubro.

Como exemplos, Quadros citou o milho, que subiu 12,37% em setembro e 16,96% em outubro; os bovinos passaram de 4,83% para 5,66% no mesmo período; e a laranja pulou de 3,87% para 17,40%.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que passou de 0,11% em setembro para 0,55% em outubro e foi o principal responsável pela alta do IGP-10, a alimentação deu as cartas para o avanço, ao passar de uma deflação de 0,05% para uma alta de 1,07%. Entre os principais grupos, só os transportes desaceleraram, ao passar de 0,12% em setembro para -0,02% este mês.

Quadros lembrou que a alimentação representou 70% da aceleração do IPC e ponderou que a tendência para os próximos meses é de um impacto menor, dado o resultado do IPA. Como expectativas de aceleração para os próximos IGPs, destaques para o feijão e o açúcar, que, segundo Quadros, devem repassar parte dos aumentos do atacado.

No varjeo, o feijão passou de -9,67% em setembro para 17,72% em outubro, enquanto o açúcar refinado passou de -2,05% para 2,79%. "O IPC deve continuar em aceleração nos próximos IGPs, mas depois a desaceleração do IPA vai se sobrepor à aceleração do IPC", projetou Quadros.

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