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Mulher de 32 anos mudou depoimento sobre a hora que fez a denúncia contra o ex-diretor-gerente do FMI

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn foi libertado sem fiança na sexta-feira depois de uma audiência dramática em um tribunal, na qual o processo contra ele por agressão sexual pareceu ter mudado em seu favor.

Strauss-Kahn sorri ao deixar o tribunal em Nova York
AFP
Strauss-Kahn sorri ao deixar o tribunal em Nova York
Strauss-Kahn, que sorriu ao deixar o tribunal, ainda enfrenta acusações criminais de agressão sexual e tentativa de estupro ligadas ao suposto ataque a uma camareira de hotel em Nova York. Seus advogados disseram que tentarão fazer com que as acusações sejam arquivadas, mas o juiz disse que os promotores continuam a investigar.

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Desde o início, o caso se sustentou na suposta vítima, uma imigrante guineana de 32 anos que limpava a suíte no hotel Sofitel em Manhattan, onde Strauss-Kahn estava hospedado. Mas, em uma audiência para buscar mudanças nas condições de sua fiança, promotores disseram que a credibilidade da mulher que está no centro do caso foi posta em dúvida.

Em função disso, o tribunal concordou em permitir que Strauss-Kahn seja libertado e que o valor pago por sua fiança seja devolvido. Ele concordou em retornar ao tribunal quando for necessário, incluindo para uma audiência em 18 de julho.

Em uma carta, promotores a advogados de Strauss-Kahn disseram que a mulher que acusou o ex-chefe do FMI de abuso sexual admitiu que mentiu para o júri sobre o que aconteceu após o suposto ataque. A camareira disse inicialmente aos promotores e ao júri que fugiu para o corredor do hotel em que trabalhava após o incidente e esperou que Strauss-Kahn fosse embora, informando em seguida seu supervisor sobre o que acabara de acontecer, disseram os promotores.

"A querelante (acusadora) admitiu que seu relato é falso e que, após o incidente na suíte 2806, foi limpar um quarto próximo e então voltou à suíte 2806 e a limpou também, antes de informar o incidente a seu supervisor", afirma a carta.

A reviravolta no caso pode provocar uma reviravolta também na política francesa. Até sua prisão, em 14 de maio, Strauss-Kahn, de 62 anos, era candidato bem cotado para a eleição presidencial francesa de 2012.

A detenção de Strauss-Kahn obrigou sua renúncia do FMI e acabou com suas esperanças de chegar à Presidência, semanas antes de ele anunciar oficialmente sua candidatura. Os simpatizantes de Strauss-Kahn no Partido Socialista da França expressaram contentamento com a aparente reviravolta e alguns disseram esperar que ele poderá reingressar na corrida presidencial de 2012.

(Com Reuters)