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Após oito meses de negociação, Caixa Econômica Federal e Banco Panamericano assinaram no início da noite de ontem contrato para a venda de 35% da empresa financeira do Grupo Silvio Santos para a instituição federal por R$ 739,272 milhões. Com a transação, a Caixa estreia em nichos inexplorados, como leasing, financiamento de veículos e empréstimo em loja.

A direção da Caixa nega, mas há rumores de que a instituição estaria negociando a participação em outras instituições, provavelmente no segmento de cartões de crédito.

Pelo contrato, a Caixa ficará com 49% das ações ordinárias do Panamericano - aquelas que dão direto a voto - e 20% dos papéis preferenciais. Juntas, as ações dão à Caixa a possibilidade de indicar quatro nomes ao conselho de administração, mesmo número do Grupo Silvio Santos. Ficou combinado que a presidência da financeira será rotativa, com trocas anuais, e o primeiro nome será indicado pelo banco federal.

O vice-presidente de Finanças da Caixa, Marcio Percival, comemorou o negócio e disse ao Estado que a recente disparada das ações do Panamericano não afetou a negociação. Segundo ele, o cálculo do valor pago foi determinado pela projeção do resultado futuro da financeira. "Tanto é que o preço fechado pressupõe um valor da ação abaixo do desta terça-feira", disse. Pelo valor fechado, a Caixa pagou R$ 8,27 por ação e o papel fechou ontem a R$ 8,50.

Percival afirmou que o principal benefício do negócio será a sinergia. As duas instituições são focadas no segmento de baixa renda e têm forte presença em crédito, mas com atuação complementar. A financeira de Silvio Santos é forte, por exemplo, em segmentos como o leasing, financiamento de veículos e empréstimo pessoal de loja. Além disso, o Panamericano tem uma base de clientes relevante. "São 2,5 milhões de pessoas que não têm conta corrente. Com isso, vamos poder incorporar clientes à nossa base e, assim, oferecer produtos como o cartão de crédito e cheque especial." Outra vantagem são os canais de distribuição. Cerca de 20 mil pontos, como concessionárias de veículos e lojas de varejo, são credenciados pelo Panamericano e, agora, poderão vender produtos da Caixa.

O negócio anunciado ontem foi o primeiro da Caixapar, subsidiária do banco federal criada no início do ano para a compra de participação acionária em empresas. O braço da instituição foi criado pelo governo federal no auge da crise, em meio ao temor de que poderia ser necessário socorrer instituições privadas que amargaram prejuízos bilionários gerados pela turbulência financeira.

Sobre as próximas atividades da Caixapar, Percival rechaça o rumor de que a Caixa poderia comprar outros bancos em breve. "Não vamos comprar outros bancos. Por enquanto, teremos muito trabalho pela frente", disse. Há, porém, rumores de que o banco estaria negociando a compra de participação acionária em empresa de prestação de serviço no segmento de cartão de crédito.

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