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O financiamento de imóveis da Caixa Econômica Federal bateu o recorde neste ano. Até novembro, foram R$ 20,4 bilhões, 60% mais que no mesmo período de 2007.

Desse total, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 9,3 bilhões, R$ 10,2 bilhões usaram recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o restante ficou por conta de outras fontes, como consórcios e Programa de Arrendamento Residencial (PAR). Segundo a instituição, até dezembro o total deverá chegar a R$ 22,8 bilhões, com 500 mil contratos.

Até 28 de novembro, o número de financiamentos chegou a 446 mil. Para 2009, a Caixa espera ultrapassar o montante deste ano, mantendo as condições de prazo e as taxas de juros. No Estado de São Paulo, os financiamentos somaram R$ 5,9 bilhões de janeiro a novembro, com expansão de 57% ante intervalo equivalente de 2007.

A Caixa trabalha com a possibilidade de que o crédito habitacional cresça 20% no próximo ano. Segundo o vice-presidente de governo da instituição, Jorge Hereda, o orçamento para o ano que vem ainda não está fechado. "Mesmo que ocorra uma redução no número de lançamentos em 2009, haverá uma série de entregas de imóveis cujos contratos foram feitos em 2006 e 2007. Com crise ou sem crise, os imóveis vão ser entregues."

O orçamento inicial para crédito imobiliário neste ano era de R$ 15,4 bilhões. Em julho a expectativa foi revista para R$ 20,4 bilhões e em agosto foi revisada novamente, para R$ 21,4 bilhões. Este ano, o melhor mês na concessão de crédito imobiliário pela Caixa foi julho, o que pode ser explicado, em parte, por negócios que começaram a ser fechados nos feirões realizados em maio. A expectativa de Hereda é que, no fim do ano, os financiamentos diários retomem o ritmo de julho e agosto.

Questionado se o crédito habitacional da Caixa teria crescido mais se não fosse a crise financeira, Hereda respondeu que o que estava previsto para este ano está acontecendo. "É difícil dizer se teríamos um crescimento maior." Segundo ele, a crise está fazendo todo mundo colocar o pé no chão. Ele reconheceu que 2009 será um ano mais difícil. "Mas estamos fazendo crédito de longo prazo e não para 2009."

Ontem a Caixa assinou contratos de capital de giro com recursos da poupança no montante de R$ 4 milhões, com as construtoras MRV e Goldfarb (R$ 2 milhões para cada empresa). Segundo Hereda, até 30 de março os R$ 3 bilhões previstos para estas operações deverão ser aplicados e mais R$ 1 bilhão poderão ser concedidos, se necessário. A taxa de juros cobrada nesses empréstimos fica entre 10% e 11% ao ano, mais taxa referencial (TR) .

Outros contratos, de R$ 70 milhões, em linhas tradicionais de crédito imobiliário destinados a empresas, também foram assinados ontem pela Caixa.

Segundo o presidente da Goldfarb, Milton Goldfarb, a expectativa é fechar contratos de linhas de capital de giro em montante próximo de R$ 50 milhões até março. O contrato de R$ 2 milhões será utilizado para complementar o financiamento de um projeto cujo Valor Global de Vendas é de R$ 25 milhões.

Para o executivo, os juros dessa linha são "muito baratos" em relação a outros bancos. Conforme Goldfarb, as demais instituições cobram taxas de CDI (certificado de depósito interbancário) mais 2,5% a CDI mais 3% para capital de giro, o que daria quase 50% a mais.

O vice-presidente de Relação com Investidores da MRV, Leonardo Corrêa, afirmou que as taxas cobradas pela Caixa para essa linha têm o mesmo custo para a companhia do que os financiamentos na modalidade plano empresário. De acordo com ele, a expectativa é de que a MRV cumpra sua meta de lançamentos próprios de R$ 2,5 bilhões a R$ 2,8 bilhões para este ano. Até 30 de setembro, a empresa lançou R$ 2 bilhões.

A Caixa Econômica Federal descarta usar os recursos da CaixaPar para a compra de participação em empresas de construção civil. Segundo o vice-presidente de governo da Caixa, Jorge Hereda, os recursos poderão ser utilizados em debêntures conversíveis em ações e na criação de fundos, mas a atuação das novas empresas serão definidas após a votação da MP 443, que amplia as atribuições da Caixa e do Banco do Brasil.

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