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Rio, 4 - O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira defende um aumento "violento" do controle da entrada de capital estrangeiro

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Rio, 4 - O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira defende um aumento "violento" do controle da entrada de capital estrangeiro. Ele acredita que o Brasil e outros países em desenvolvimento sofrem de uma sobrevalorização crônica da taxa de câmbio e que as autoridades brasileiras deveriam parar de abordar o problema do real sobrevalorizado como um desequilíbrio de curto prazo. Bresser-Pereira disse que o pacote de política industrial anunciado na terça-feira não resolve o problema da competitividade da indústria brasileira. "É evidente que isso (o pacote de política industrial) não substitui uma taxa de câmbio em equilíbrio", disse Bresser-Pereira hoje, em entrevista à <b>Agência Estado</b>, antes de participar do IV Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira, que acontece no Rio de Janeiro. "A nossa taxa de câmbio está incrivelmente sobreapreciada." Para ele, o Brasil encontra-se hoje numa "armadilha de mediocridade profunda, que é a armadilha de taxa de câmbio e de taxa de juros." Na opinião do ex-ministro da Fazenda, não se pode resolver o problema do câmbio sobrevalorizado com a economia brasileira aquecida. "O ajuste fiscal é fraco e deveria ter sido feito mais. A (presidente) Dilma (Rousseff) resolveu não fazer as mudanças nos primeiros 100 dias de governo e empurrar com a barriga", disse Bresser-Pereira. Segundo ele, a presidente Dilma já recebeu uma economia superaquecida, pois o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não resolveu o problema fundamental da economia brasileira, que é a taxa de câmbio. "Quando esse ajuste fiscal estiver bem feito, aí então baixem os juros e corrijam o câmbio de vez", afirmou. Para Bresser-Pereira, o custo de o Brasil ser um país "que trata bem os investidores internacionais" é um câmbio sobrevalorizado, que está prejudicando a competitividade das empresas brasileiras. "Não precisamos de capital estrangeiro nenhum, para nada, nem mesmo de investimento direto de estrangeiro. Precisamos, sim, da tecnologia deles", afirmou o ex-ministro da Fazenda. "O governo deveria aumentar violentamente o controle de entrada de capitais. A entrada de capitais é que aprecia o câmbio e inviabiliza a nossa indústria." (Fábio Alves, enviado especial ao Rio)

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