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Viajantes do país gastam cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano, valor que pode aumentar com as facilidades à emissão de visto anunciadas

Os brasileiros são os estrangeiros que mais gastam no sul da Flórida, cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano, valor que pode aumentar com as facilidades anunciadas na quinta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para conceder vistos para brasileiros e chineses.

"Neste ano, a expectativa é superar a quantia de US$ 1,5 bilhão", revelou à Agência Efe o presidente da Câmara de Comércio do Brasil na Flórida, Saulo Ferraz. Obama esteve na quinta-feira na Flórida para anunciar um plano de turismo que pretende fomentar o emprego no país por meio da facilitação da entrada de brasileiros e chineses, que terão seus trâmites para conseguir um visto agilizados.

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"Os brasileiros adoram visitar a Flórida, mas até agora dificultávamos a entrada", afirmou Obama, após destacar que a demanda de vistos de brasileiros aumentou 42% em 2011. Ferraz reconheceu que "o número de pedidos de vistos estava crescendo demais e uma solução precisava ser encontrada". Ele também disse esperar que, com o anúncio, a situação melhore.

Segundo Ferraz, os brasileiros viajam aos EUA para fazer turismo e compras, e Miami e os arredores atraem muito por "serem locais relativamente próximos, 7h30 de voo". "Olhando pelo tema econômico, (os brasileiros) são pessoas que gastam e compram muito. No sul da Flórida é muito mais ativo e isso ajuda os investidores, porque é uma nacionalidade que apoia muito essa indústria", comentou Ferraz, que garantiu que o perfil do brasileiro que vai aos Estados Unidos fazer compras não é "de classe alta".

Há alguns anos "somente as pessoas das classes mais altas podiam vir, mas agora não é mais assim. Basta ir a qualquer shopping para ver que está lotado de brasileiros. Esse é o termômetro que mais exemplificou a presença brasileira nesta cidade", explicou. Enrique Silva, um turista brasileiro que está de férias em Miami, disse à Efe que está na cidade "para fazer compras". Para ele, o Brasil não está sentindo os efeitos da crise econômica, já que "a economia é estável e isso ajuda a atrair investidores estrangeiros".

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Maria Eugenia Kireff, outra brasileira de férias em Miami, veio "para fazer um pouco de turismo e aproveitar o entretenimento do sul da Flórida". Ela disse ter encontrado muitos brasileiros pelas ruas e brincou afirmando que, "se continuar assim, a primeira língua de Miami será o português".

De acordo com a Câmara de Comércio, os brasileiros deverão ser os estrangeiros que mais gastam em Miami e no restante do sul da Flórida em 2012, o que já ocorreu no ano passado e em 2010, quando o Brasil desbancou o Canadá da primeira posição da lista do Miami Travel Bureau.

Para Ferraz, a expansão econômica dos últimos anos "provocou o crescimento da classe média no Brasil e fortaleceu a economia nacional". Pelo censo oficial, o Brasil tinha 190,7 milhões de habitantes em 2010. Este fenômeno, somado à valorização do real, teve como consequência "enorme crescimento do poder aquisitivo dos brasileiros". Junto ao comércio no varejo e à restauração, o setor imobiliário da Flórida é outro dos grandes beneficiados pelo "boom brasileiro", já que, com baixos preços por causa da explosão da bolha, os brasileiros investem nesta região dos Estados Unidos.

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"Em torno de 15% a 20% das vendas (imobiliárias) estão relacionadas com propriedades que têm a ver com brasileiros", apontou Ferraz, que também chamou a atenção para o aumento das empresas brasileiras na região. A Câmara de Comércio assessora por mês a criação de "três a quatro" novas empresas brasileiras que desejam se estabelecer na Flórida. "Há companhias de todos os setores e tamanhos que querem estabelecer-se nos EUA e, especificamente em Miami e no sul da Flórida", declarou.

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