Tamanho do texto

O brasileiro é o terceiro povo mais empreendedor entre os membros do G-20 (formado pelos países mais ricos e principais emergentes). Com uma taxa média de empreendedorismo de 12,02% em 2008 - o que significa 12 empresários em estágio inicial a cada 100 pessoas economicamente ativas -, o País só ficou atrás de Argentina e México, com médias de 16,5% e 13,1%, respectivamente.

No ranking geral de empreendedorismo da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada ontem, o Brasil está na 13ª posição, entre os 43 países avaliados.

A pesquisa GEM mostrou ainda que a qualidade do empreendedorismo praticado no País melhorou. Pela primeira vez desde 2000, quando o levantamento começou a ser realizado, a quantidade de pessoas que abrem um novo negócio por opção superou as que o fazem para sobreviver. Para cada brasileiro que empreende "por necessidade", há agora dois empreendedores "por oportunidade". "Esse indicador mostra um empreendedorismo de melhor qualidade", avalia Paulo Okamotto, presidente do Sebrae, que patrocinou o estudo. O Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) foi o responsável pelo levantamento.

Apesar disso, os novos negócios brasileiros ainda são pouco inovadores. Segundo a pesquisa, apenas 3,3% dos empreendedores consideram seus produtos uma novidade no mercado. Cerca de 85% admitem que sua tecnologia é utilizada há mais de cinco anos. "A consequência disso é uma empresa com muita concorrência e baixo potencial de exportação", diz o gerente de atendimento do Sebrae, Enio Pinto.

Para Marcelo Néri, do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a taxa de empreendedorismo de 12%, alta na comparação com as demais 42 outras nações, não é sinônimo de geração de riqueza. Segundo ele, 33% da população pobre do País vive em famílias cujo provedor trabalha por conta própria. "Nossa cultura ainda é do emprego formal. Quando pode escolher, o brasileiro prefere a carteira assinada", acredita. Essa realidade pode se inverter, nos próximos anos, por causa dos efeitos da crise financeira. "Os pequenos negócios serão um amortecedor para a crise."
Outro destaque da pesquisa foi o crescimento no número de jovens em novos negócios, considerados entre 18 a 34 anos. Em 2008, eles responderam por 55,1% do número de empreendedores. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.