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Valor representa mais da metade de todo o fluxo de dólares ao País em fevereiro

O “ tsunami monetário ” que a presidenta Dilma Rousseff afirmou estar chegando ao Brasil já deu seus primeiros sinais. Na última semana, o fluxo cambial ao Brasil mostrou forte recuperação, com saldo positivo de US$ 2,92 bilhões. Apenas nos dois primeiros dias de março, a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 2,46 bilhões.

O resultado da última semana é uma inversão no fluxo observado na semana anterior, quando houve uma saída líquida de US$ 1,269 bilhão, e ocorre apesar de o governo tendo endurecido o tom contra o excesso de fluxos.

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Brasil é principal vítima de "tsunami cambial" que afeta emergentes

Durante o mês de março, é possível que o Brasil sinta ainda mais o impacto da entrada de dólares, na opinião de Pedro Galdi, analista chefe da SLW Corretora, “Esperamos que passadas as notícias negativas do cenário externo – e sem uma piora na situação do Irã, a tendência seja de que os europeus busquem ativos no exterior,” afirma.

Dinheiro para aplicar no Brasil não falta. Desde dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) vem fazendo uma injeção monetária no sistema financeiro, com o objetivo de aquecer a economia. Apenas no mês passado foram despejados mais de 500 bilhões de euros.

Os bancos centrais da Grã-Bretanha e do Japão também injetaram dinheiro em seus sistemas financeiros. Na prática, o capital acaba sendo distribuído para diversos destinos. Uma parte é usada pelos bancos para aumentar seus caixas. Outra parte é usada para investimentos.

"Para valorizar o capital, os bancos precisam investir em ativos de rentabilidade, que sejam atrativos e de risco menor. No momento, não estão na Europa, mas sim na periferia nos países emergentes,” diz Fernando Ribeiro, professor de Finanças do Insper. “Metade dos recursos devem ficar guardados para compor uma posição de caixa. A outra parte vai ser destinada a investimentos que rendam bem,” concorda José Francisco Lima Gonçalves, do Banco Fator.

“É natural que o capital flua para países com juros mais altos, como o Brasil”, completa a pesquisadora Lia Valls Pereira, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

No mercado cambial, a simples expectativa de entrada de dólares já contribui para a queda do preço da moeda, comenta Gonçalves. Ainda que vários outros motivos influenciem a cotação da divisa norte-americana, seu valor caiu para o patamar de R$ 1,70 no final de fevereiro.

Enquanto isso, o governo vem endurecendo o tom contra uma excessiva valorização do real. Apenas na semana passada adotou duas medidas para evitar a enxurrada de capitais ao país, alertando que poderá tomar mais ações.

Na véspera, ao comentar os dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do quarto trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o g overno não vai permitir a valorização do real em relação ao dólar para não causar prejuízos à indústria .

Nesta quarta-feira, Mantega voltou a falar de câmbio, endossando que o governo está preparado para evitar excesso de liquidez na econom i a e não permitirá a criação de bolhas financeiras, nem especulação contra o real nos mercados futuro e à vista.

Fluxo de US$ 5,7 bi em fevereiro

Em fevereiro, o fluxo já havia ficado positivo, em US$ 5,705 bilhões. No entanto, o número foi menor do que o saldo positivo de US$ 7,283 bilhões registrado em janeiro, segundo dados do Banco Central. Na parcial dos primeiros dois meses deste ano, o BC contabilizou o ingresso de US$ 12,98 bilhões na economia brasileira, com queda de 43,3% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 22,93 bilhões de ingresso).

O BC informou ainda que adquiriu US$ 842 milhões em compras de moeda no mercado à vista com liquidação no mês passado. Nos dois primeiros dias de março, foram liquidados US$ 256 milhões nessas operações.

O mês de fevereiro ficou marcado pelo retorno das intervenções de compra do BC no mercado de câmbio, após não atuar dessa forma desde setembro passado, quando o dólar disparou devido ao agravamento da crise internacional.

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O BC voltou a atuar por meio de um leilão de compra de dólares a termo e posteriormente realizou operações também nos mercados à vista e leilões de swap cambial reverso, que têm efeito de uma compra de moeda no mercado futuro. Segundo profissionais do mercado, a autoridade monetária visa defender a linha de R$ 1,70 por dólar, ameaçada em meio aos fortes ingressos ao país desde o início do ano.

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