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Para consultoria responsável pelo estudo, porém, redução é pequena e país pode estar alcançando novo patamar em volume de negócios

O número de fusões e aquisições no Brasil caiu 6% no ano passado, em relação a 2010, quando foi recorde. Segundo levantamento da consultoria PWC, em 2011 foram realizadas 746 transações, contra 797 nos doze meses anteriores - veja também o resultado do estudo da KPMG . Apesar da queda, o estudo sugere que o país pode estar alcançando um novo patamar no volume de negócios anunciados anualmente, indicado por recordes no número de fusões e aquisições em cinco meses de 2012 – fevereiro, abril, maio, agosto e setembro. "A tendência é de crescimento, porque as perspectivas para o Brasil continuam a ser de expansão econômica e consolidação em diversos setores, em todas as regiões", afirma Alexandre Pierantoni, sócio da PWC no Brasil e especialista no assunto.

Fusões e aquisições

Número de transações realizadas no Brasil

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Fonte: PWC

Entre os anos de 2002 e 2005, foram realizadas em média 384 transações por ano. Nos quatro anos seguintes, a média passou para 676. Agora, contando 2010 e 2011, está na casa das 771 fusões e aquisições. No terceiro trimestre do ano, o número de transações foi superior ao dos anos anteriores (194, contra 186, em 2010).

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A conclusão da PWC é de que o mercado brasileiro mantém certo descolamento do cenário de instabilidade e incertezas que predomina nos Estados Unidos e a Europa. Empresas brasileiras lideraram a compra de participação (controladora ou não) e a participação de investidores estrangeiros no ranking ficou 3 pontos percentuais abaixo da registrada em 2010.

Private Equity

Neste cenário, Pierantoni chama a atenção para o papel crescente dos fundos de private equity em fusões e aquisições no país. Segundo o relatório da PWC, nos últimos cinco anos, a participação dos investidores do gênero quadruplicou. Era de 11% e está em 42%, mesmo patamar registrado em 2010. "É quase o dobro da média mundial, de 22%", afirma Pierantoni. "Eles com certeza são um dos principais impulsionadores desse movimento de aumento do número de fusões e aquisições no país".

Foram 310 transações ao longo do ano. E os investidores, de modo geral, demonstram interesse diversificado. Fazem investimentos em áreas tão diferentes quanto produtos de consumo, química e petroquímica, educação, alimentos e serviços.

Balaio

De modo geral, neste ano os setores com mais negócios foram os de TI, com 79 transações; alimentos (66), química (64), bancos (61), varejo (52), serviços (47) e serviços públicos (42). No ano que vem, segundo o especialista da PWC, deverão predominar fusões e aquisições de empresas que exploram o mercado de produtos de consumo de todos os tipos, serviços, óleo e gás e tecnologia.

Pulverizado e dinâmico, TI aparece com frequência no topo da lista. Em óleo e gás, os altos investimentos justificam o movimento. Na área de serviços, Pierantoni diz que os destaques deverão estar em educação e saúde, áreas nas quais ainda há deficiências estruturais no país. Em segmentos de bens de consumo,  a lógica de aumento do número de fusões e aquisições é a da expansão da renda e do emprego no país.

Valores

Em valores, as comparações são mais imprecisas. Das 746 fusões e aquisições realizadas no Brasil em 2011, somente 273 tiveram o preço divulgado, ou 36% do total. Elas somaram US$ 49,9 bilhões (R$ 88,3 bilhões) e incluem negócios de dimensões tão diversas quanto a compra de participação na Usiminas pela Thechint (US$ 2,7 bilhões) e a venda a imobiliária Erwin Maack Consultoria para a LPS Imóveis (US$ 2,4 milhões).

No ano passado, o número de transações que teve o valor revelado foi parecido – 278, ou 34,8%. Mas o volume de dinheiro envolvido foi muito maior (US$ 63,9 bilhões), o que se refletiu na média de valor dos negócios ao longo do ano. Em 2010, ela foi de US$ 230 milhões, contra US$ 183 milhões, no ano passado.

É, porém, uma média distorcida pelo fato de que os dez maiores negócios realizados ao longo do ano representaram 33,7% do volume total, ou US$ 16,6 bilhões. Segundo a PWS, o mercado brasileiro é caracterizado por transações de pequeno e médio porte, com baixa ou nenhuma alavancagem financeira (contração de dívidas para a compra).

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