Tamanho do texto

Presidente do BC vai levar posição à reunião de chefes de Estado do G20 no próximo mês, em Seul, na Coreia do Sul.

selo

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse neste domingo que o Brasil não vai aceitar desequilibrar sua economia por conta dos desequilíbrios em outros países, e que esta será a posição levada à reunião de chefes de Estado do G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento) no próximo mês, em Seul, na Coreia do Sul.

"O Brasil fez a sua parte para o reequilíbrio global, não está adicionando desequilíbrio ao mundo. Muito pelo contrário", disse Meirelles, em Washington, onde participou da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, encerrada neste domingo.

"Agora, o que o Brasil não pode aceitar, e não fará, será desequilibrar a sua economia, importar desequilíbrios de outros países através, por exemplo, dessa questão do desequilíbrio de moedas", afirmou.

"Trabalhamos em um âmbito global, achamos que a solução passa certamente por uma discussão global, mas independentemente disso, o Brasil toma as suas providências para proteger a sua economia", disse o ministro.

"Guerra cambial"

Os desequilíbrios entre as moedas de diversos países, batizados de "guerra cambial" pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foram o tema central da reunião na capital americana.

Muitos países são acusados de manter o valor de suas moedas artificialmente baixo, o que torna suas exportações mais baratas e mais competitivas no mercado internacional e acaba prejudicando as economias que têm moedas mais valorizadas.

Os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais reunidos em Washington buscavam um comprometimento com uma ação global e coordenada para resolver esse problema, mas a reunião terminou sem muitos avanços, e a discussão será levada para a reunião do G20, em novembro.

No encontro desta semana, ficou decidido que o FMI deverá reforçar a supervisão do sistema financeiro internacional e irá realizar relatórios sobre o impacto que medidas cambiais e fiscais de cada país poderão ter sobre outras economias.

Um dos principais alvos das críticas é a China, acusada principalmente pelos Estados Unidos de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada e assim obter vantagens na balança comercial.
Estados Unidos

O Brasil não ignora a importância da China nesse processo, mas tem concentrado suas críticas nos Estados Unidos.

"Hoje o desequilíbrio mais importante é a expansão monetária norte-americana, usada para combater o baixo crescimento e o desemprego ainda elevado nos Estados Unidos", disse Meirelles.

"Isso é a grande injeção de liquidez na economia internacional, não é o acúmulo de reservas dos emergentes que vai assumir essa responsabilidade", afirmou, apesar de ressaltar que se referia ao Brasil, e não às reservas chinesas (estimadas em quase US$ 2,5 trilhões).

O acúmulo de reservas por parte de alguns países é um dos fatores apontados pelo FMI para os desequilíbrios.

Recuperação desigua l

O FMI afirma que o desequilíbrio é provocado pela forma desigual com que a recuperação global evoluiu após a crise econômica mundial, com ritmo mais lento nas economias avançadas, que enfrentam altas taxas de desempregos e baixo consumo interno. Os emergentes tiveram uma recuperação mais rápida e apresentam crescimento mais vigoroso.

"De um lado, há países que têm um endividamento muito grande, da sua sociedade, das empresas, das famílias e agora dos governos. Que estão adotando políticas monetárias expansionistas, acomodatícias, com alto nível de liquidez. De outro lado, países que têm consumo doméstico ainda baixo, muita dependência das exportações", disse Meirelles.

"E no meio deste processo, há a questão das moedas. Países que estão com as moedas desequilibradas, países que estão reagindo a isso, países que estão tentando se proteger", afirmou.

Segundo Meirelles, o Brasil vive um momento "extremamente favorável" no cenário internacional, e que não apenas saiu forte da crise, como mantém um crescimento equilibrado.

Questionado sobre o fato de o FMI ter aconselhado o Brasil a conter o aumento dos gastos correntes para aliviar a política monetária e evitar, assim, a valorização do real, o presidente do Banco Central disse que é preciso separar discussões de curto, médio e longo prazo.

"Se olharmos o Brasil num prazo maior, o Brasil está equilibrado, a dívida pública está caindo, a relação dívida PIB (Produto Interno Bruto) está caindo, tem posição bastante equilibrada', disse.

Meirelles afirmou ainda que a evolução do déficit em conta corrente é algo que o governo brasileiro observa "com toda a atenção", mas que é um risco global.

"O Brasil está tomando providências", disse. "Não há dúvida de que existe essa preocupação geral.Este é um risco global para todos os países."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.