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Para especialistas, pauta hoje concentrada em commodities terá uma composição mais diversificada já em 2012

A pauta de exportações do Brasil, atualmente concentrada em commodities e produtos básicos, deve se diversificar a partir de 2012. Na avaliação de especialistas, esse deve ser um dos principais reflexos de curto prazo do plano “Brasil Maior” , lançado nesta terça-feira pela presidenta Dilma Rousseff.

Na avaliação do ex-secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Comércio Exterior (Abece), Ivan Ramalho, mesmo com as condições adversas do câmbio e da economia internacional, a exportação de produtos industrializados cresceu mais de 20% no primeiro semestre de 2011, na comparação com o mesmo período do ano passado. “Com esse novo pacote de incentivos à produção e à inovação, essa participação dos produtos de maior valor agregado nas exportações deve ser ampliada já em 2012”, avalia.

Indústria calçadista: setor intensivo em mão de obra vai se beneficiar com a redução de alíquota previdênciária no plano
Agência Estado
Indústria calçadista: setor intensivo em mão de obra vai se beneficiar com a redução de alíquota previdênciária no plano "Brasil Maior"
No ano, até julho, o superávit comercial do país está em US$ 16,1 bilhões, 74,45% a mais do que igual período de 2010, quando o saldo ficou positivo em US$ 9,230 bilhões. No acumulado do ano, as vendas externas somam US$ 140,5 bilhões, cerca de US$ 34 bilhões a mais do que um ano antes, quando ficaram em US$ 106,860 bilhões.

Para Antonio Corrêa de Lacerda, professor doutor de Economia da PUC-SP, o governo reconhecer as necessidades do setor produtivo e adotar uma política industrial é muito importante, mas é necessário alinhar a política macroeconômica com o “Brasil Maior”.

“Concorremos diretamente com países como China, Índia e Coreia nos mercados internacionais e essas nações já têm políticas industriais que fortalecem a produção”, diz. “Mas é necessário um olhar mais aprofundado sobre a política de juros elevados, que causa reflexos no câmbio, para não inviabilizar os principais pontos da política industrial”, acrescenta Lacerda.

Com uma extensa lista de medidas e metas, o plano "Brasil Maior" contempla a devolução de impostos e financiamento a exportadores , desoneração de folha de pagamento para setores intensivos em mão de obra e política tributária especial para montadoras. O objetivo do governo é apresentar compensações efetivas para o segmento produtivo contra a valorização do real frente ao dólar, que afeta a competitividade das empresas brasileiras no exterior.

Para os especialistas, o “Brasil Maior” não impedirá o avanço das importações no País, já que o Brasil apresenta uma trajetória de economia em crescimento com uma forte dinâmica de importações, mas fará com que as empresas nacionais tenham mais condições para enfrentar a concorrência externa. “A maioria dos setores industriais estará mais gabaritada e em condições mais igualitárias de competição com seus concorrentes internacionais”, diz Ramalho.

Uma das medidas incluídas na nova política industrial reduz a zero a alíquota previdenciária de 20% de setores sensíveis ao câmbio e à concorrência internacional, e intensivos em mão de obra, como confecções, calçados, móveis e software. A desoneração tributária prevista pelo MDIC com as novas medidas é de cerca de R$ 25 bilhões em dois anos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê desembolsar cerca de R$ 500 bilhões em financiamentos ao setor produtivo, entre 2011 e 2014. Desse total, R$ 262 bilhões serão destinados a setores intensivos em conhecimento, R$ 200 bilhões para o fortalecimento de micro, pequenas e médias empresas, R$ 70 bilhões para o desenvolvimento de cadeias de suprimento em energias, R$ 52 bilhões para diversificação de exportações, R$ 34 bilhões em produção sustentável e R$ 7 bilhões em inovação.

Com essas medidas, o governo pretende elevar a taxa de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 18,4% em 2010 para 22,4% até 2014 e reduzir o déficit de manufaturados na balança comercial de 2,4% para 1,3% do PIB.