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País foi o único da América Latina e Caribe a ter queda no volume de recursos enviados por seus cidadãos no exterior, em 2011

Brasil recebe menos remessas de imigrantes e oferece oportunidades aos que vêm de outros países da região, como o haitiano Josias Milville.
Dubes Sônego
Brasil recebe menos remessas de imigrantes e oferece oportunidades aos que vêm de outros países da região, como o haitiano Josias Milville.
Os brasileiros que vivem no exterior estão enviando menos dinheiro ao Brasil. E, ao que tudo indica, abandonando mercados em crise como os Estados Unidos, a Europa e o Japão para tentar aproveitar oportunidades na terra natal. É o que sugere relatório do Fundo Multilateral de Investimentos, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre remessas de dinheiro para países da América Latina e Caribe por seus emigrantes.

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No ano passado, o Brasil foi o único país latino-americano ou caribenho a registrar queda no volume de remessas recebidas de seus emigrantes. Foram US$ 2 bilhões, 5% menos que em 2010. Em contrastes, outro tipo de transação, típico de emigrantes que estão retornando aos países de origem, cresceu 51%, para U$ 2,1 bilhões, excedendo pela primeira vez o volume de remessas regulares. “O que está acontecendo, possivelmente, com toda a crise no exterior, é que os emigrantes estão enviando dinheiro que haviam poupado em anos anteriores. Enviam o dinheiro porque estão voltando”, diz Mario Gaspar Sacchi, professor do curso de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM).

Remessas

Dez países da América Latina e Caribe que receberam maior volume de recursos de emigrantes em 2011 (em US$ - milhões)

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Fonte: BID

O volume de remessas regulares recebido no Brasil em 2011 foi inferior ao de países pequenos do Caribe, como o Haiti, que após o terremoto de 2010 viu o número de emigrantes explodir. Um quarto da renda do país caribenho devastado pelo tremor foi composto pelos US$ 2,1 bilhões recebidos de haitianos vivendo no exterior. Mas outros países bem menores da América Central, como El Salvador e Guatemala também superam com folga o Brasil.

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Além da queda no volume total de recursos, o dinheiro enviado por brasileiros no exterior ao Brasil rendeu menos em reais, por causa da valorização do real em relação ao dólar no período. A diferença foi de 15%, na contramão do que aconteceu com os mexicanos, que receberam 17,5% mais em pesos pelos dólares recebidos de seus emigrantes.

Conjunto

No conjunto, os países latino-americanos e caribenhos contabilizaram US$ 61 bilhões em remessas de emigrantes, em 2011. O valor é 6% superior ao registrado um ano antes (US$ 57,6 bilhões) e sugere uma tendência da recuperação. O volume de recursos, porém, ainda está bem abaixo dos US$ 64,9 bilhões de 2008, e esconde algumas variações regionais.

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O ritmo de recuperação na América do Sul, que tem mais emigrantes na Europa que nos Estados Unidos, por exemplo, foi de 7,5% nos dois primeiros trimestres de 2011 e de 4,8% no terceiro. Mas caiu 2,6% no quarto trimestre, em função das incertezas em relação ao futuro da União Europeia que marcaram a virada do ano e a queda nas remessas para o Brasil.

Na avaliação de Sacchi, da ESPM, o próprio Brasil pode estar se tornando o país de origem de remessas para outros da região da América Latina e do Caribe, como o Haiti, Paraguai e Bolívia. E mesmo se tornando alternativa para imigrantes que já não encontram trabalho em países europeus, como a Espanha ou a Itália. “É um tema de estudo interessante, porque correntes novas de migração que estão sendo criadas no momento”, diz o acadêmico.

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