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Washington, 12 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, debateram hoje a apresentação de uma proposta conjunta para solucionar o conflito nuclear com o Irã, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Washington, 12 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, debateram hoje a apresentação de uma proposta conjunta para solucionar o conflito nuclear com o Irã, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A iniciativa consistiria no envolvimento de um terceiro país que receberia imediatamente uma parte do urânio enriquecido a 3,5% pelo Irã e o trocaria por combustível nuclear oriundo de países ocidentais, explicou Amorim em entrevista coletiva. O ministro admitiu que o Brasil poderia ser esse terceiro país, embora "seja mais lógico um país mais próximo" do Irã. A comunidade internacional propôs mandar combustível nuclear para o Irã, mas não imediatamente após receber o urânio iraniano levemente enriquecido. Teerã exige que a troca seja simultânea, segundo Amorim. O chanceler disse que explicará a nova proposta aos ministros dos outros países reunidos na cúpula sobre segurança nuclear em Washington durante as reuniões de hoje e terça-feira. Brasil e Turquia se opõem às sanções impulsionadas pelos Estados Unidos contra o Governo iraniano para forçar o país a suspender seu programa nuclear. O presidente da China, Hu Jintao, concordou hoje em cooperar com Washington no tema das sanções, segundo a Casa Branca, que precisa do apoio do país asiático para conseguir um voto favorável no Conselho de Segurança da ONU. Amorim insistiu que o Brasil quer "uma solução diplomática" para o conflito e ressaltou que a experiência anterior de imposição de sanções - no caso, sobre o Iraque de Saddam Hussein -, foi "muito trágica". O chanceler disse que é necessário evitar "um ciclo de endurecimento recíproco". O Irã também surgiu na pauta do encontro hoje entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates. Em entrevista coletiva, Jobim relatou ter dito a Gates que a comunidade internacional deve dar garantias ao Irã de que não será atacado, como parte de um acordo para que suspenda seu programa nuclear. Jobim pediu o "entorno estratégico" do Irã seja levado em conta, assim como a presença de outras nações contam com armas nucleares, em uma aparente referência a Israel. Amorim também informou que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, deve visitar o Brasil depois da cúpula presidencial do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes) no Canadá, em junho. Berlusconi e Lula se reuniram hoje em Washington e assinaram um plano de ação que estabelece um diálogo "de alto nível" entre Brasil e Itália em assuntos como o combate contra a pobreza, a mudança climática, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. A terceira reunião de Lula antes da cúpula, que foi aberta hoje com um jantar, foi com o primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama. Lula e Hatoyama trataram da participação do Japão na licitação do trem-bala que unirá Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, conversaram sobre o programa nuclear do Irã, dado que o Japão preside atualmente o Conselho de Segurança da ONU, disse Amorim. EFE cma/bba
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