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Para Pablo Longueira, Brasil deve avançar com reformas tributária e da previdência enquanto Chile experimenta "Bolsa Família"

Ministro da Economia chileno, Pablo Longueira, diz que país está tentando implementar
Divugação
Ministro da Economia chileno, Pablo Longueira, diz que país está tentando implementar "bolsa família"
O Brasil tem muito a ensinar em termos de gestão da economia e de política de redução das desigualdades sociais, mas pode também se valer de exemplos bem sucedidos como a reforma da previdência e a modernização do sistema tributário. Essa é a avaliação do ministro de Economia, Fomento e Turismo do Chile, Pablo Longueira.

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Em entrevista exclusiva ao iG , nesta terça-feira em São Pauo, onde participou do Fórum Panrotas, Longueira afirmou que a reforma do sistema previdenciário, realizada há mais de duas década no Chile, ajudou a embasar o desenvolvimento da economia do país e pode ser seguida por países como o Brasil. “Avançamos de forma muito positiva com essa política exitosa e coerente”, disse.

“Isso permitiu que muitos cidadãos e famílias tivessem uma qualidade de vida mais ampla, que seus pais não tiveram, além de corrigir distorções que comprometiam a saúde das finanças do país”, afirmou Longueira.

Por outro lado, o ministro chileno afirma que ainda existem muitos desafios, como a redução das desigualdades sociais e a erradicação da pobreza extrema. Com base no programa brasileiro “Bolsa Família”, o Chile implantou uma política pública para reduzir a pobreza investindo cerca de 1% do PIB no programa “Ingresso Etico Familiar”, subsidiando famílias de baixa renda ou em condições de vulnerabilidade social. O objetivo do programa é que em cinco anos não exista nenhuma família vivendo abaixo da linha de pobreza, segundo o ministro.

“O programa tem como base metas de saúde, educação e engajamento das famílias em projetos de qualificação para ampliar o potencial de geração de renda”, explicou Longueira. “Com essa contrapartida, queremos, em cinco anos, poder afirmar que somos o primeiro país da América Latina a não ter nenhuma família abaixo da linha da pobreza”, disse.

Segundo dados oficiais do governo chileno, o país deve atingir este ano uma renda per capita de US$ 16 mil. A meta é atingir US$ 24 mil de renda per capita até 2020, nível equivalente ao verificados em alguns países europeus.

Educação

Investimentos em formação superior e capacitação de mão de obra também são apontados como prioritários, segundo Longueira, para dar suporte às necessidades geradas pelo crescimento econômico. Segundo Longueira, o Chile 30 anos atrás tinha nos cursos superiores cerca de 120 mil jovens. Hoje são mais de um milhão. “Isso mostra que os filhos de classes mais pobres estão ingressando na educação superior. Para ampliar esse acesso, o governo planeja uma reforma tributária para garantir recursos para mais investimentos em educação”, disse.

De acordo com o ministro da Economia do Chile, um dos maiores problemas enfrentandos pelo país é com a falta de mão de obra. ”Estamos competindo com muitos países que possuem mercados atrativos para nossos trabalhadores. Estamos com dificuldade para repor a mão de obra mais técnica em vários setores e por isso são necessários maiores investimentos”, afirmou.

Guerra cambial

O Chile também tem sido afetado pelos efeitos da guerra cambial e pelo excesso de liquidez nos mercados financeiros internacionais, contribuindo com a valorização do peso, a moeda do país. Mas os efeitos são menos intensos no país vizinho.

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“O Chile é um país pequeno, mas aberto ao mundo e está sabendo aproveitar suas vantagens comparativas e os benefícios de uma economia mais global”, afirmou Longueira.

Segundo o ministro chileno, o equilíbrio macroeconômico, inflação controlada em cerca de 3% a 4% e a responsabilidade fiscal, que de acordo com ele é um consenso no país, fez com que os governos regionais se comprometessem com essas metas de crescimento e desenvolvimento mantendo uma administração responsável para propagar os ciclos positivos da economia, não gastando recursos de forma irresponsável.

“Isso nos permitiu enfrentar de forma consistente e sem impactos sociais os efeitos da crise financeira que penaliza muitos países desde 2008”, disse. “A questão do câmbio afeta em certo ponto o país e alguns setores exportadores. Mas não recorremos a mecanismos de protecionismo. O que temos que fazer é melhorar nossa competitividade. Mas para isso é preciso um compromisso intenso e de longo prazo. Essa é a forma moderna de se enfrentar esse cenário. Medidas protecionistas acabam prejudicando os consumidores, que não terão acesso a produtos e serviços de melhor qualidade”, enfatizou Longueira.

Turismo

O incremento do turismo é outra aposta do país que tem entre suas principais fontes de riqueza a exploração e exportação de minérios como o cobre.

“O Chile vive um momento excepcional com um crescimento do mercado turístico”, declarou o ministro. “O grande desafio é atingir o número de 4 milhões de visitantes até 2014. Hoje o saldo é de 3 milhões”, acrescentou.

Longueira ressaltou a importância do mercado brasileiro, que registrou incremento de 40% em um ano. “No ano passado, o Brasil foi responsável por 3% da demanda, e esperamos um incremento de 4% a 5% para 2012. Estamos investindo em políticas públicas para continuar o avanço da entrada de visitantes de todo o mundo no Chile”, disse.

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