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A Eurocopter, empresa do grupo franco-alemão EADS, vai fabricar no Brasil e vender ao Ministério da Defesa helicópteros militares EC-725 Cougar, com capacidade para até 31 pessoas. A confirmação foi feita ao Estado ontem, em Paris, por uma porta-voz da companhia.

A quantidade de aeronaves e o valor da transação não foram revelados. A produção será feita no País e incluirá a transferência de tecnologia, uma das condições do governo brasileiro.

As informações confirmam a vigência do acordo anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em julho, e reforçam a parceria estratégica militar firmada com o governo da França em fevereiro passado. Além disso, não contradizem, em tese, as especulações de que a União fecharia um outro acordo para compra de aeronaves Mi-35, de fabricação russa. Conforme a Eurocopter, o acordo de parceria com o Brasil prevê investimentos para a construção de uma nova fábrica em Minas Gerais.

Para pôr em funcionamento a nova fábrica, a empresa investirá entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em sua subsidiária brasileira, a Helibras.

O modelo a ser produzido no país será o EC-725 Cougar, um derivado mais avançado da família Super Puma/ Cougar. A aeronave tem papel de transporte tático de tropas e tem capacidade para 29 soldados e dois pilotos.

Os helicópteros EC-725 Cougar são em média 30% mais caros que os aparelhos AS 523 SC e AS 523 AL, dos quais derivam. O preço de cada unidade, porém, pode variar de acordo com as especificações exigidas pelo comprador. Em fevereiro, durante visita oficial a Paris, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o governo estudava a aquisição de 50 aparelhos, com entrada em operação progressiva a partir de 2010.

Na mesma época, o presidente do Conselho de Administração da Helibras, o ex-governador do Acre Jorge Viana, disse que a Aeronáutica tinha interesse em 20 helicópteros, mas que outros 30 poderiam ser vendidos para o Exército, a Marinha e para a Petrobrás. Segundo a Eurocopter, o início da produção na subsidiária brasileira ainda depende da reorganização nas linhas de produção.

A confirmação não anula as especulações em torno da compra, por parte das Forças Armadas, de 12 helicópteros Mi-35, de fabricação russa, uma transação avaliada em US$ 250 milhões. A aproximação com os fabricantes e com o governo russo foi confirmada pelo ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Já os acordos com os franceses têm sido defendidos por Jobim.

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