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Departamento econômico do banco reduziu de 6,3% para 6,1% a previsão de inflação para o ano

O departamento econômico do Bradesco reduziu de 6,3% para 6,1% a previsão de inflação para o ano, informou nesta segunda-feira o economista-chefe da instituição financeira, Octavio de Barros. "O cenário de a inflação ficar acima do teto da meta [de 6,5%] em 2011 fica praticamente descartado. Nossa visão é de que o Banco Central tem grandes chances de atingir o centro da meta no ano que vem", afirmou o economista após reunião do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cosec-Fiesp).

No Boletim Focus desta segunda-feira, o mercado revisou para baixo , pela sexta vez consecutiva, sua previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fim do ano, de 6,22% para 6,19%. Segundo Barros, o desaquecimento da economia global está ajudando a inflação no Brasil com a queda das commodities, além da deflação nos preços do etanol, mas essas não são as principais razões para acreditar em um cenário benigno do IPCA daqui para frente.

"Estamos vendo o Banco Central atuando de forma muito inteligente. No momento em que a inflação desacelera, o BC mantém sua política monetária de aumento de juros". Para o economista, o Copom deve fazer mais uma rodada de aumento da Selic em 0,25 ponto percentual, com eventuais chances de haver um segundo aumento consecutivo. "Esse é um cenário bastante razoável num momento em que a inflação está caindo", comentou.

O economista-chefe afirmou que, a partir de agora, o mercado deve levar mais a sério a possibilidade de o centro da meta do IPCA ser alcançado em 2012. "As expectativas tendem a melhorar de forma muito significativa, exatamente o oposto do que aconteceu no ano passado, quando a inflação subiu. Quando o Banco Central aumenta os juros, o peso disso sobre as expectativas não é desprezível".

Para junho, a previsão do Bradesco é que a inflação fique em torno de zero, com eventual chance de deflação. Em julho e agosto, o banco projeta que o IPCA deve variar entre 0,1% e 0,12%. No segundo semestre como um todo, Barros disse que a projeção é de uma inflação mensal média de 0,35%, "ou até abaixo disso".

Sobre o PIB, o economista declarou que o Bradesco mantém sua projeção de crescimento de 3,8% para 2011, mas reviu de 4,5% para 4% a estimativa de 2012, porque o "carry over" deste ano será apenas 1,2%. Barros ressaltou, no entanto, que "a sensação térmica vai continuar muito agradável". "O processo decisório de investimentos das empresas não vai ser nem um pouco afetado por essa desaceleração. No fundo, ela é consequência de uma economia que endogenamente desacelera e também um pouco empurrada pelas políticas monetária e fiscal do governo, e pelas medidas macroprudenciais do BC."

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