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SÃO PAULO - O plano de resgate europeu domina as atenções dos investidores ao longo de todo pregão e sustenta uma alta generalizada e expressiva dos mercados acionários mundiais. No Brasil, a situação não é diferente. Por volta das 16h05, o Ibovespa subia 3,85%, ou 2.

423 pontos, para 65.293 pontos, com giro financeiro de R$ 5,1 bilhões. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a operar na linha dos 66 mil pontos na máxima do dia. Nas duas últimas jornadas, o índice havia recuado 3,15%. Em Wall Street, os investidores também aumentam suas posições, após as bolsas recuarem nas quatro últimas jornadas. Há pouco, o índice Dow Jones subia 3,16%, enquanto o Nasdaq avançava 4,04% e o S & P 500 se valorizava em 3,55%. Responsável pela melhora de humor dos investidores, o mecanismo de assistência financeira para garantir a estabilidade do euro no valor de 750 bilhões de euros é o destaque do dia. Além de terem como objetivo a proteção da moeda europeia, os recursos serão voltados necessidades dos países da região com problemas de solvência. As economias da zona do euro terão acesso a 440 bilhões de euros em garantias de empréstimos e a outros 60 bilhões de euros de financiamento emergencial da Comissão Europeia. O FMI entrará com 250 bilhões de euros. Segundo o vice-presidente da gestora americana BlackRock, Bob Doll, de todas as propostas anunciadas na Europa, a mais "dramática" foi a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar bônus de governos dos países da região, mesmo depois de ter dito que não adotaria tal medida, na semana passada. "Em nossa opinião, essas ações deverão fornecer uma base de liquidez muito melhor, mas as questões fundamentais relacionadas a ajustes fiscais ainda precisam ser resolvidas", ressaltou Doll, em relatório enviado ao mercado. O executivo observou que, depois do "mergulho" do mercado, em março de 2009, foram vistos três movimentos negativos de magnitude aproximada de 10%, dos quais o terceiro ocorreu nas duas últimas semanas. Segundo Doll, essa atuação não é anormal num mercado "altista" (ou bull market, no jargão financeiro) e, nos dois primeiros casos, foram vistas recuperações com base na evolução dos fundamentos, na atratividade dos ativos e nas melhorias contínuas da atividade econômica. "Os mercados continuam sob pressão como resultado da emissão de dívidas soberanas na Europa, do aperto da política [monetária] na China e em outros lugares, e das incertezas em relação à regulamentação em curso do setor de serviços financeiros. Em nossa opinião, no entanto, as forças positivas da melhoria do crescimento econômico, a ausência de inflação, baixas taxas de juro e resultados corporativos mais fortes devem continuar a impulsionar os mercados." (Beatriz Cutait | Valor)

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