Tamanho do texto

SÃO PAULO - Depois de um começo de pregão em baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou por cima da instabilidade externa e da queda no preço das commodities para fechar acima dos 69 mil pontos. Apoiado nas ações da Petrobras e CSN, o Ibovespa encerrou com alta de 1,46%, apontando 69.

576 pontos. Maior pontuação desde 19 de janeiro. Na máxima, o índice testou 70.143 pontos.

O volume financeiro também chamou a atenção, foram mais de R$ 10 bilhões, o maior desde 2 de maio de 2008 para dias sem vencimento de opções e índice futuro, sendo que R$ 2,76 bilhões foram movimentados apenas pelas ações da Petrobras.

As ações PN da estatal operaram em destaque desde o começo do pregão, depois que uma operação de R$ 500 milhões do Credit Suisse e outra de R$ 192 milhões da XP Investimentos chamou os investidores para a compra.

No final da jornada o papel apontava alta de 2,24%, a R$ 36,50, com mais de R$ 2,48 bilhões em negócios. A ação ON acompanhou e ganhou 1,85%, a R$ 40,71, com giro de R$ 277 milhões.

Para o diretor-gestor da Codepe Corretora, Fernando Aguiar, o papel da estatal passa por uma importante correção depois de ficar muito descolado dos seus fundamento e do próprio do índice.

Ampliando a análise, Aguiar chama atenção para a entrada de capital externo na Bovespa. Esse forte volume nos ativos da estatal e na Bovespa como um todo denota a presença dos não residentes na ponta de compra.

Depois de sacar R$ 3,35 bilhões da bolsa em janeiro e fevereiro, o investidor estrangeiro remonta posições neste começo de mês. O saldo de negociação direta do não residente ficou positivo em mais de R$ 1,06 bilhão, na primeira semana do mês.

Ainda de acordo com Aguiar, passado o susto inicial, os problemas fiscais registrados pelas economias europeias, principalmente Grécia, levam o investidor global a voltar sua atenção cada vez mais ao mercado brasileiro, que segue com sólidos fundamentos econômicos e boas perspectivas de crescimento.

"Atenção agora para o lado político, conforme as eleições se aproximam", pondera Aguiar.

Outro destaque corporativo foi a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A ação ganhou 3,92%, para R$ 66,41, com o terceiro maior volume do dia. Em reunião, o controlador da empresa, Benjamin Steinbruch, disse que o plano para os ativos de minério de ferro da companhia é montar uma empresa com vendas de 150 milhões de toneladas por ano e com capital aberto em bolsa.

" O momento é agora " , disse, para vender de 20% a 25% do capital da empresa. Para o executivo, essa nova companhia, dependendo dos ativos de mineração e logística que forem incorporados, pode ter um valor de mercado em torno de R$ US$ 20 bilhões.

Na mesma reunião, a CSN abordou o reajuste no preço do minério e não descarta alta acima de 90%. A aposta se baseia nos altos valores praticados no mercado à vista e no déficit de oferta.

Ainda no setor, Usiminas PNA ganhou 3,51%, a R$ 56,60, e Gerdau PN se valorizou 0,91%, a R$ 27,60. Em relatório divulgado ontem para clientes, a Itaú Corretora anunciou que prevê um aumento de 10% a 12% nos preços domésticos do aço durante o segundo trimestre
Com R$ 990 milhões em volume, Vale PNA subiu 0,97%, a R$ 47,67. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o governo deve propor a criação de um órgão regulador para o setor de mineração.

Ainda entre os maiores volumes, OGX Petróleo ON cedeu 0,05%, a R$ 16,87, depois de ganhar 2,4% durante o pregão. Os bancos ganharam valor. Itaú Unibanco PN subiu 1,23%, a R$ 37,74, e Banco do Brasil ON se valorizou 1,76%, a R$ 29,90.

Em relatório, a Fitch Ratings afirmou que a perspectivas para o setor é positiva conforme cresce a concessão de empréstimos. O desafio, no entanto, é conduzir esse crescimento sem piorar a qualidade do crédito.

Entre as empresas que mostraram balanço, a América Latina Logística (ALL) terminou o quarto trimestre de 2009 com prejuízo líquido consolidado de R$ 63,7 milhões, praticamente o dobro da perda verificada um ano antes, de R$ 32 milhões. As units da companhia chegaram a cair 2,7%, mas terminaram com alta de 1,65%, a R$ 17,17.

Ainda na ponta de compra, Klabin PN subiu 5,26%, a R$ 5,20, TIM Part PN também ganhou mais de 5%, a R$ 7,80. Eletrobrás PNB, CCR Rodovias ON, Transmissão Paulista PN e Ultrapar PN avançaram mais de 3% cada.

Fora da festa, B2W Varejo ON caiu 1,15%, a R$ 40,17, AmBev PN perdeu 0,62%, a R 171,53, e JBS ON também recuou 0,62%, a R$ 9,61. Em entrevista, o presidente da companhia, Joesley Batista, não descartou a possibilidade de vender mais ações no Brasil para financiar seu projeto de expansão.

Originalmente, o plano da empresa era abrir o capital da JBS USA nos EUA, mas a piora nas condições do mercado levou ao adiamento da oferta.

" Não fazer IPO não atrapalha os planos para a área de distribuição. Estamos estudando novas formas de financiamento. Certamente vamos decidir por outras fontes de financiamento ao longo desse tempo " , disse Batista durante conferência sobre os resultados da empresa ontem.

Fora do índice, o papel da Hypermarcas devolveu os ganhos da manhã e recuou 1,83%, a R$ 21,89. A companhia anunciou sua quarta aquisição em menos de uma semana.

Depois de comprar a fabricante de fraldas Sapeka, e as empresas de produtos de higiene pessoal York e Facilit, a Hypermarcas assinou memorando visando à compra da Luper Indústria Farmacêutica por R$ 52 milhões. Esses quatro negócios já somam cerca de R$ 600 milhões.

Com R$ 229 milhões em volume, a ação PN da Telebrás perdeu 11,91%, a R$ 1,70. Na mínima o papel bateu R$ 1,28, queda de 33%.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, disse que Plano Nacional de Banda Larga não será implementado totalmente em 2010. " O plano está sendo concebido para ir até 2014 e é evidente que não será todo realizado este ano. Parte dele será feito este ano " , disse Martins em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.

As ações da companhia estavam em ebulição em meio a comentários de reativação da estatal para cuidar do projeto de banda larga. Esses comentários ganharam ainda mais força depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista que a empresa seria reativada.

O papel ON da Brasil Ecodiesel voltaram a perder valor, recuando 0,88%, a R$ 1,12. O papel declinou 13% desde a sexta-feira, depois que quatro usinas da companhia perderam o Selo Combustível Social. Sem a tal certificação, essas unidades não podem vender biodiesel por meio dos leilões com selo organizados pela ANP.

Seguindo um tombo de 22% ontem, os recibos de ação da Laep, empresa que controla a Parmalat, saltaram 16,93%, a R$ 1,45. Mas antes disso, caíram mais de 18%. A venda dos ativos foi atribuída, ontem e em parto do pregão de hoje, às declarações do presidente da JBS, Joesley Batista, sobre a falta de interesse da companhia em entrar no mercado de leite longa vida. Durante algumas semanas, se especulava que a JBS poderia comprar ativos da Parmalat.

Em Wall Street, as compras perderam fôlego no final do dia, mas o Dow Jones fechou com leve alta de 0,11%. O S & P 500 ganhou 0,17%. Já o Nasdaq subiu 0,36%. Os investidores comemoram um ano de mercado em alta. No dia 9 de março de 2009, os índices faziam mínimas para os últimos 12 anos. Desde então, as bolsas americanas só ganharam, com o Dow Jones e o S & P 500 avançando cerca de 70%.

(Eduardo Campos | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.