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SÃO PAULO - O pregão final da semana mais dura da crise financeira global até agora terminou em clima de expectativa. O dia registrou perdas relevantes em Nova York , na Europa e em emergentes como o Brasil, onde a bolsa paulista parou com meia hora de abertura após ter caído mais de 10%.

Encerrados os 30 minutos de paralisação, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou a maior parte do dia em queda de mais de 7%. Na reta final, entretanto, houve um respiro e os índices reduziram as baixas. O Ibovespa fechou aos 35.609 pontos, em queda de 3,97%, percentual dentro da média dos últimos dias desta semana, em que o indicador acumulou perda de 20%.

A razão para o amortecimento do tombo pode ter vindo da análise relativamente positiva do leilão de liquidação de derivativos de crédito (CDSs) ligados ao Lehman Brothers, ocorrido hoje, ou mesmo da expectativa em relação às reuniões do G7 e do G20, que começam hoje e seguem pelo fim de semana. O mercado levou em conta ainda que rumores envolvendo a redução do rating da GM e a quebra do Morgan Stanley, que não se confirmaram ao fim do dia.

O preço de referência para liquidação dos CDSs do Lehman, que entrou em concordata no dia 15 de setembro, será de 8,625% do valor de face. Assim, quem vendeu proteção contra o risco de o banco quebrar terá que pagar a quem comprou o seguro a diferença até os 100%.

Segundo Robert Pickel, executivo-chefe da International Swaps and Derivatives Association (ISDA), entidade que representa os participantes desse mercado e que coordenou a liquidação, não deve haver grandes dificuldades adicionais dos bancos para honrar suas posições, já que os vendedores de CDSs têm marcado a mercado sua posição e já possuem o dinheiro reservado para cumprir com suas obrigações. Isso representa certo alívio para os agentes, tendo em vista o temor cada vez maior de nova quebras de bancos. A liquidação financeira das posições, no entanto, ficou para o dia 21 de outubro.

Felipe Casotti, economista do setor de renda variável da Máxima Asset Management, acredita que essa operação colaborou para a diminuição das perdas do dia. Mesmo assim, a cautela com o fim de semana foi mais forte e continuou impedindo que os investidores decidissem passar dois dias inteiros com posições compradas em bolsa, pois a possibilidade de surpresas negativas tem se mostrado freqüente.

Seja como for, o economista-sênior do BES, Flávio Serrano, diz que os movimentos em bolsas estão tão erráticos que é difícil encontrar justificativa técnica para cada sobe e desce dos índices. Não há normalidade e os preços estão absolutamente distorcidos.

Segundo Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Sênior o que os mercados precisam é de um "desfibrilador", um "choque" para que possam sair desse estado de pânico. Medidas para causar esse efeito envolveriam mais do que já foi proposto até agora. Mais estatizações de bancos, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, mais corte de juros e a implementação rápida do plano de US$ 700 bilhões para tirar do mercado os ativos tóxicos.

Segundo Bandeira, a reunião de G7, que começa hoje em Washington, tem que trazer algumas medidas determinantes para pôr fim à crise e sinalizar a retomada da normalidade a partir de segunda-feira.

Entre os ativos de maior peso na carteira, Petrobras PN caiu 7,26%, para R$ 24,00; Vale PNA perdeu 1,01%, para a R$ 24,30; BM & FBovespa ON teve queda de 5,73%, para R$ 7,40; Bradesco PN se desvalorizou 5,91%, a R$ 22,10; e Vale ON subiu 1,28%, para R$ 28,30.

As ações On da Positivo e da Embraer lideraram as perdas do dia, com queda de 10,77% (R$ 3,56) e de 10,23% (R$ 9,56), respectivamente. na ponta inversa, resistiram no azul as ações da Brasil Telecom PN, com alta de 3,66% (R$ 11,30) e Ambev PN, com aumento de 3,48% (R$ 89)
(Bianca Ribeiro e Fernando Torres | Valor Online)

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