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SÃO PAULO - A semana começou com viés negativo para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) marcou o terceiro pregão seguido de baixa e retornou à casa dos 69 mil pontos.

O dólar ficou estável a R$ 1,765. Os contratos de juros futuros curtos acumularam prêmio de risco, mostrando aumento nas apostas de alta na taxa básica de juros já na quarta-feira.

Na agenda de indicadores do dia, a produção industrial americana mostrou alta de 0,1% em fevereiro, apesar das fortes tempestades de neve que atingiram algumas regiões do país. Já o índice de atividade calculado pelo Federal Reserve (Fed) de Nova York caiu agora em março, de 24,9 para 22,9, mas ainda assim ficou acima do previsto.

Mais uma vez, os indicadores não foram determinantes para o comportamento das bolsas de valores. Em Wall Street, o Dow Jones oscilou em baixa durante grande parte do pregão até que compras no fim do dia levaram o índice a encerrar com alta de 0,16%. Com isso, o Dow completou cinco dias seguidos de valorização. Já o Nasdaq perdeu 0,23%, enquanto o S & P 500 teve leve acréscimo de 0,05%.

Por aqui, o vencimento de opções sobre ações movimentou o pregão. Foram negociados mais de R$ 10,6 bilhões na Bovespa, sendo R$ 5,03 bilhões referentes ao exercício de opções. Refletindo a instabilidade externa e a queda no preço das commodities, o Ibovespa voltou a perder valor, fechando com baixa de 0,46%, aos 69.023 pontos.

Na avaliação do analista de investimentos da Petra Asset, João Luiz Piccioni, o foco do mercado esteve voltado para a divulgação das decisões de políticas monetárias no Brasil e nos Estados Unidos.

"As ações das empresas de consumo foram bem judiadas pelos investidores, em meio à espera pelo Copom. Além disso, a questão externa esteve na pauta, com a expectativa dos investidores em relação a alguma novidade na reunião do Fed (Federal Reserve, banco central americano)", comentou.

Na tarde desta terça-feira, o Fed apresenta sua decisão de política monetária. O consenso sugere estabilidade da taxa entre zero e 0,25%. Com isso, ganha destaque o comunicado que apresenta a visão do colegiado sobre inflação e crescimento.

No câmbio, os agentes também parecem aguardar as decisões do Fed e do Copom para tomar posição. A oscilação segue bastante limitada e, ontem, o dólar comercial fechou estável, a R$ 1,765 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda avançou 0,06%, para R$ 1,763. No interbancário, os negócios avançaram de US$ 2 bilhões para US$ 2,9 bilhões.

No mercado de juros futuros, os vencimentos curtos concentraram a movimentação, mostrando que segue em curso um aumento nas apostas de alta na taxa Selic já na reunião de quarta-feira.

Segundo o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, os dados do Boletim Focus deram subsídio para quem trabalha com essa possibilidade.

A sondagem do Banco Central (BC) mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano em 5,03%, acima do prognóstico anterior de 4,99% e cada vez mais distante do centro da meta, fixado em 4,5%. Para 2011, a previsão subiu de 4,5% para 4,6%.

Campos Neto não acredita em elevação na Selic agora em março, mas também não acha que seria surpresa se o Comitê de Política Monetária (Copom) resolvesse subir a taxa agora, já que as expectativas de inflação pioram e a atividade dá sinais de força.

Captando essas apostas de alta iminente na taxa básica de juros, os contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de prazo mais curto subiram. Ao fim da jornada, na BM & F, o contrato com vencimento em abril, que respondeu por mais da metade do volume do dia, marcava acréscimo de 0,02 ponto, a 8,82%. Julho de 2010 ganhou 0,01 ponto, a 9,34%. E janeiro de 2011 também acumulava 0,01 ponto, a 10,52%.

Entre os mais longos, o vértice janeiro de 2012 marcava 11,62%, sem alteração. Já janeiro de 2013 cedia 0,03 ponto, a 11,94% e janeiro de 2014 recuava 0,05 ponto, a 12,03%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.354.685 contratos, equivalentes a R$ 130,61 bilhões (US$ 74,05 bilhões), queda de 4% sobre o volume da sexta-feira. O vencimento para abril de 2010 foi novamente o mais negociado, com 770.510 contratos, equivalentes a R$ 76,71 bilhões (US$ 43,49 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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