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SÃO PAULO - O noticiário morno permitiu às bolsas devolverem uma parte das perdas da véspera. No caso da Bovespa, a valorização de hoje, embora modesta, colaborou para que o mês tivesse o melhor desempenho desde abril de 2008.

Conduzido por Vale e siderúrgicas, o Ibovespa subiu acompanhando o comportamento das bolsas norte-americanas, onde os investidores ignoraram os indicadores divulgados hoje e se concentraram em melhorar o desempenho de suas carteiras.

O Ibovespa terminou a sessão em alta de 0,67%, aos 40.925,87 pontos. Com tal desempenho, encerrou março com elevação de 7,18%, o maior ganho desde abril de 2008, quando havia subido 11,3%. No primeiro trimestre deste ano, a Bovespa acumula variação positiva de 8,99%. Hoje, o índice oscilou dos 40.661 pontos (+0,02%) até a máxima de 41.610 pontos (+2,35%). O giro financeiro totalizou R$ 4,176 bilhões.

Segundo operadores, a calma do noticiário desta terça-feira permitiu que os investidores corrigissem parte da queda de ontem, aqui (o Ibovespa perdeu 2,99%) e no exterior (o Dow Jones recuou 3,27%). Foram divulgados nos Estados Unidos alguns indicadores, como o de confiança do consumidor medido pela Conference Board (que subiu de 25,3 em fevereiro para 26,0 em março), mas sem impacto nos papéis.

Amparado nos ganhos de instituições financeiras e papéis de tecnologia, em Wall Street o Dow Jones teve alta de 1,16%, para 7.608 pontos. O S & P 500 ganhou 1,31%, a 797 pontos, e o Nasdaq Composite aumentou 1,78%, a 1.528 pontos.

No mês, a valorização dos índices foi expressiva. O Dow Jones subiu 7,7%, enquanto S & P e Nasdaq tiveram acréscimo de 8,43% e 10,96%, respectivamente, melhores desempenhos mensais em cerca de sete anos. Mas, no trimestre, a figura é diferente. O Dow Jones perdeu 13,3%, e o S & P recuou 11,74% Já o Nasdaq fechou o período com desvalorização de 3,10%.

 As bolsas europeias também fecharam a terça-feira com altas, com os bancos repetindo a liderança. Em Londres, o índice FTSE-100 ganhou 4,34%.

No Brasil, as ações da Vale estiveram à frente dos ganhos, com a ajuda do avanço dos metais no mercado externo. Os papéis ON subiram 1,87% e os PNA, 0,34%. O setor siderúrgico, também muito castigado ontem, hoje subiu em bloco, beneficiado pelas medidas anunciadas pelo governo, voltadas para construção civil e setor automotivo. Gerdau PN avançou 2,87%, Metalúrgica Gerdau PN, 3,36%, Usiminas PNA, 4,80% e CSN ON avançou 2,66%.

Petrobras terminou em baixa, na contramão do petróleo no mercado externo, e impediu ganhos maiores para a Bovespa. A ação ON recuou 1,12% e a PN, 0,80%. No ano, os papéis acumulam ganhos de, respectivamente, 28,70% e 25%.

No setor bancário, apenas Itaú PN fechou em baixa (-0,70%). Hoje foi a estreia das ações do Itaú Unibanco Banco Múltiplo, e as units do Unibanco deixaram de existir na Bovespa, dando lugar às ações de Itaú Unibanco Banco Múltiplo, sob os códigos ITAU3 e ITAU4.

Dólar

O dólar recuou em relação ao real, seguindo a queda da divisa norte-americana no exterior em meio ao aumento do apetite por risco que amparou firmes ganhos às bolsas pelo mundo todo. O fim de mês combinado com a virada de trimestre estimulou ajustes de posições nas carteiras de investimentos das instituições financeiras, apesar das persistentes incertezas, nos Estados Unidos, sobre a capacidade de recuperação das montadoras e de bancos.

O dólar comercial cedeu 0,56% hoje e fechou cotado a R$ 2,318. A maior taxa do dia foi de R$ 2,32 (-0,47%) e a menor, de R$ 2,299 (-1,37%). Em março, a moeda acumulou baixa de 2,24%. No primeiro trimestre, a queda foi de 0,73%. Na BM&F, a moeda o dólar negociado à vista também terminou o dia a R$ 2,318, em baixa de 0,60%. O giro financeiro total à vista aumentou 74%, para cerca de US$ 3,780 bilhões.

O recuo da moeda só não foi maior no mercado local por causa da disputa entre investidores posicionados no mercado futuro de dólar em torno da formação da taxa ptax (taxa média) desta terça-feira. A força dos "comprados" em dólar futuro (investidores que aplicam no mercado futuro de dólar e apostam na alta da moeda), onde principalmente estrangeiros detêm posição líquida comprada (credora) de cerca de US$ 9,9 bilhões, mostrou-se ainda expressiva e capaz de limitar em parte o recuo da moeda na sessão.

No exterior, o dólar recuou em relação às euromoedas e algumas divisas de outros países emergentes, além do Brasil. Os investidores estão na expectativa do encontro do Grupo dos 20 (G-20) e da reunião de política monetária do Banco Central Europeu, ambos nesta quinta-feira. O G-20 reúne grandes economias industrializadas e emergentes.

(Com Agência Estado e Valor Online)

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