Tamanho do texto

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue operando em forte baixa, com o humor dos investidores prejudicado pela acentuada queda nas vendas varejistas norte-americanas e notícias pouco animadoras no setor financeiro europeu. Por volta das 14h45, o Ibovespa apresentava queda de 3,68%, aos 38.

090 pontos, com giro financeiro de R$ 2,68 bilhões.

Em Wall Street, as vendas também são acentuadas com o Dow Jones caindo 3,07%, enquanto o Nasdaq recuava 3,08%. O pessimismo é garantido pelo sexto mês seguido de queda nas vendas no varejo. Em dezembro, a baixa foi de 2,7%, acima do esperado pelos especialistas.

A fraca demanda nos EUA prejudica todo o setor de commodities, tirando a atratividade dos principais papéis do Ibovespa. Há pouco, Petrobras PN perdia 2,58%, para R$ 23,33, Vale PNA caía 3,62%, a R$ 25,78, e CSN ON se desvalorizava 4,01%, para R$ 32,55.

Mesmo sem problemas com créditos hipotecários e seus derivativos, os bancos brasileiros perdem valor junto com seus pares internacionais, depois que o Deutsche Bank alertou sobre a possibilidade de prejuízo de US$ 6,4 bilhões no quarto trimestre, e de relatório do Morgan Stanley ter afirmado que HSBC precisará levantar US$ 30 bilhões e cortar dividendos para ajustar seu nível de capital.

Com o terceiro maior volume do dia, Bradesco PN recuava 5,63%, para R$ 21,10. Logo atrás está a ação PN do Itaú, com perda de 7,06%, valendo 24,47. As units do Unibanco caíam 7,20%, para R$ 13,66.

Ainda na ponta vendedora, GOL PN, Gafisa ON e Cosan ON caíam mais de 7% cada.

Apenas 3 dos 66 papéis do Ibovespa registram valorização. Natura ON ganhava 1,10%, para R$ 20,22. Aracruz PNB subia 0,75%, a R$ 2,67, e Eletropaulo PNB tinha leve alta de 0,07, a R$ 25,84.

O pessimismo externo também afeta a formação da taxa de câmbio. Durante a manhã, o dólar perdia valor ante o real conforme as commodities subiam. Mas com as matérias-primas apontando para baixo e o fluxo vendedor aumentando na Bovespa, a demanda por dólares voltou a aumentar. Há pouco, a divisa era negociada a R$ 2,357 na venda, alta de 1,28%.

Contribuindo para a alta, o Banco Central anunciou que o fluxo cambial estava negativo em R$ 873 milhões em janeiro até o dia 9.

O BC ainda não atuou no mercado à vista, mas já colocou US$ 276 milhões no mercado via operações de empréstimos compromissados ao financiamento do comércio exterior. Um novo leilão desse tipo acontecerá agora à tarde.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.